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terça-feira, 14 de julho de 2026

Morre Cláudio Galvão, pesquisador e referência da memória potiguar, aos 88 anos

Crédito da foto: reprodução.

O professor, historiador, pesquisador e escritor Cláudio Augusto Pinto Galvão morreu na manhã desta terça-feira (14), aos 88 anos. Professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ele deixa uma trajetória marcada pela preservação da memória histórica, artística e cultural do estado.

Foi casado com a escritora Mailde Pinto Galvão(falecida em 26 de abril de 2013). 

Ao longo da carreira, Cláudio Galvão teve atuação destacada na formação acadêmica, na pesquisa e na valorização das artes potiguares. Na UFRN, foi fundador e primeiro chefe do Departamento de Artes (Deart), função exercida entre 1974 e 1981, período em que participou da implantação de iniciativas pioneiras no ensino artístico da instituição.

Após deixar a chefia do departamento, Galvão elaborou o projeto que deu origem ao Laboratório de Restauração e Conservação de Livros e Documentos Históricos (Labre). A iniciativa teve papel na recuperação de acervos históricos do Rio Grande do Norte, incluindo coleções de jornais antigos do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN).

Autor de 19 livros, o pesquisador dedicou parte significativa da produção ao resgate de personagens, obras e manifestações artísticas do estado, com atenção especial à música potiguar. Entre os títulos publicados estão “Oswaldo de Souza: O Canto do Nordeste”, de 1988; “A Desfolhar Saudades: uma biografia de Tonheca Dantas”; “A Modinha Norte-rio-grandense”, de 2000; “Cancioneiro de Auta de Souza”, também de 2000; e “Príncipe Plebeu: uma biografia do poeta Othoniel Menezes”, lançado em 2010.

Era sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) desde 1982, e ocupava a cadeira 103 da instituição.

Do rádio à pesquisa

Músico e estudioso das artes, Cláudio Galvão iniciou a vida profissional em emissoras de rádio, onde trabalhou como controlador de som e apresentador de programas voltados à música erudita. Posteriormente, ingressou no magistério e tornou-se professor de História Medieval e História da Arte na antiga Faculdade de Filosofia do Rio Grande do Norte, que depois passou a integrar a UFRN.

Mesmo após a aposentadoria, em 1991, ele permaneceu em atividade como pesquisador e escritor. Seu último livro publicado foi “Helen Ingersoll: Poesia”, de 2021, dedicado ao resgate da produção poética da escritora mossoroense Helen Ingersoll.

Governo do RN manifesta pesar

Em nota de pesar, o Governo do Rio Grande do Norte classificou Cláudio Galvão como um dos mais importantes intelectuais da história potiguar e destacou a contribuição do pesquisador para a preservação da cultura e da identidade do estado.

O Executivo estadual também ressaltou a atuação dele como professor, gestor cultural e guardião de acervos documentais. Segundo a nota, a produção intelectual de Galvão tornou-se referência para pesquisadores e novas gerações ao recuperar a trajetória de compositores, escritores e artistas norte-rio-grandenses.

Confira a nota completa:

"NOTA DE PESAR

O Governo do Rio Grande do Norte manifesta profundo pesar pelo falecimento do professor, historiador, pesquisador e escritor Cláudio Galvão, um dos mais importantes intelectuais da história potiguar.

Ao longo de uma vida dedicada ao conhecimento e ao serviço público, Cláudio Galvão construiu um legado inestimável para a preservação da memória, da cultura e da identidade do Rio Grande do Norte. Sua produção intelectual resgatou e valorizou a trajetória de grandes nomes da música, da literatura e da história potiguar, tornando-se referência para pesquisadores e para as novas gerações.

Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, fundador do Departamento de Artes da instituição, gestor cultural e guardião do Arquivo Público do Estado, exerceu suas funções com reconhecido compromisso com o patrimônio histórico e documental do povo potiguar.

Autor de dezenas de livros e pesquisas, dedicou-se, com rigor e sensibilidade, ao resgate da música norte-rio-grandense, da história de compositores, escritores e artistas, deixando uma contribuição permanente para a cultura brasileira.

Neste momento de dor, o Governo do Estado solidariza-se com os familiares, amigos, colegas e admiradores de Cláudio Galvão, expressando sua gratidão pela vida e pela obra de um homem que fez da pesquisa, da educação e da cultura uma missão.

Seu legado permanecerá vivo na memória do Rio Grande do Norte.

Natal, 14 de Julho de 2026"

*Com informações da Tribuna do Norte






terça-feira, 7 de julho de 2026

Lei reconhece Atheneu como patrimônio histórico de Natal

Foto: José Aldenir

O Colégio do Atheneu Norte-rio-grandense foi reconhecido oficialmente como patrimônio cultural, educacional, arquitetônico e histórico de Natal. A medida foi estabelecida pela Lei nº 8.158, de 2 de julho de 2026, sancionada pelo prefeito Paulinho Freire (União) e publicada no Diário Oficial do Município. Ensinobásico e secundário

De acordo com a legislação, o reconhecimento abrange a importância histórica, cultural, arquitetônica e educacional da instituição, considerada uma referência para a memória da capital potiguar.

A lei também reforça a necessidade de preservação do prédio e das referências históricas e artístico-culturais existentes no local. O texto determina que o Poder Público, em conjunto com a comunidade escolar e os demais órgãos competentes, adote medidas voltadas à conservação e valorização do bem.

Entre os objetivos estabelecidos pela norma está a proteção, preservação e restauração do patrimônio arquitetônico, reconhecendo-o como referência da memória, da cultura, da identidade e da diversidade da cidade. Pessoase sociedade

A legislação também prevê a promoção de iniciativas de divulgação e valorização da preservação do patrimônio público, além da realização de fiscalização e acompanhamento periódico e permanente para garantir a conservação do imóvel.

Outro objetivo previsto é a conservação de arquivos, registros e documentos relacionados ao Atheneu Norte-rio-grandense, visando preservar o acervo histórico da instituição.

Segundo a legislação, caberá ao Poder Público atuar em parceria com a comunidade escolar e os órgãos competentes para desenvolver ações voltadas à preservação do patrimônio, assegurando a conservação do edifício, de seus elementos arquitetônicos e do acervo documental e histórico vinculado ao colégio.

*AGORA RN

terça-feira, 30 de junho de 2026

Centro Cultural Trampolim da Vitória é reconhecido como patrimônio histórico e cultural do RN

Foto: reprodução

O Centro Cultural Trampolim da Vitória (CCTV), localizado em Parnamirim, foi oficialmente reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural, Material e Imaterial do Rio Grande do Norte. A medida está prevista na Lei nº 12.788, de 26 de junho de 2026, publicada no Diário Oficial do Estado.

O reconhecimento foi viabilizado por meio de articulação do vereador Professor Ítalo junto ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, deputado Ezequiel Ferreira, autor da proposta que resultou na nova legislação.

A lei garante proteção ao patrimônio material do espaço, como edificações, documentos, fotografias, objetos e equipamentos de exposição, além de preservar seu patrimônio imaterial, composto pelas memórias, narrativas históricas e ações educativas desenvolvidas pelo centro cultural.

Instalado no antigo Aeroporto Internacional Augusto Severo, o CCTV preserva a história de Parnamirim durante a Segunda Guerra Mundial, período em que a cidade se tornou ponto estratégico para as forças aliadas. O espaço reúne um amplo acervo histórico e recebe visitantes de diversas regiões do Brasil e do exterior.

Com o reconhecimento, o Governo do Estado passa a adotar medidas voltadas à preservação, manutenção e valorização do Centro Cultural, fortalecendo também o turismo histórico e cultural em Parnamirim.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Morre Paulo Varela, referência da poesia popular do RN

Foto: Reprodução/Cidade dos Poetas

Faleceu na terça-feira(09), o poeta memorialista Paulo Varela, aos 62 anos. Natural de Assú, no interior do Rio Grande do Norte, ele se firmou como um dos grandes nomes da poesia popular nordestina. 

Em pesar, a Prefeitura do município lamentou a perda e decretou luto oficial de três dias.

Trajetória

Natural de Assú, cidade conhecida como a Terra da Poesia, Paulo Varela construiu uma trajetória marcada pela defesa das raízes culturais nordestinas. Seus versos retratavam personagens, costumes, festas populares, histórias do sertão e o cotidiano do povo do interior, contribuindo para preservar memórias e fortalecer a identidade cultural potiguar. Ao longo da carreira, tornou-se uma referência da chamada poesia matuta, sendo frequentemente apontado como um dos maiores representantes do gênero no Nordeste.

A notoriedade de seu trabalho ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Norte. Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória ocorreu em 2005, quando participou do Programa do Jô, na TV Globo. A apresentação levou a poesia popular potiguar para uma audiência nacional e ajudou a consolidar seu nome entre os principais divulgadores da cultura nordestina no país. A repercussão foi tão positiva que sua participação voltou a ser exibida posteriormente.

Antes de dedicar-se integralmente à arte, Paulo Varela trabalhou por muitos anos no setor de telecomunicações. Depois de percorrer diversas regiões do Brasil, decidiu abandonar a carreira empresarial para mergulhar definitivamente na literatura, no cordel e nas manifestações culturais populares. Além de poeta, também atuava como xilogravurista, escultor, cenógrafo e contador de causos, acumulando experiências que ajudaram a moldar sua produção artística.

Sua atuação não se limitou à escrita. Em Natal, foi um dos fundadores do espaço O Encanto do Cordel, criado em 2006 com o objetivo de fortalecer a circulação da literatura de cordel e incentivar novos autores. No local, promoveu encontros, saraus, oficinas e atividades voltadas à difusão da cultura popular. Também desenvolveu trabalhos com xilogravura, ilustrando folhetos e incentivando outras pessoas a conhecerem a técnica.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Museu de Lagoa de Velhos é reconhecido como patrimônio cultural e turístico do RN


A Lei Nº 12.749, de 27 de maio de 2026, sancionada pelo Governo do Estado reconhece como Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico do RN, o Solar João Anselmo, no município de Lagoa de Velhos. A lei é de autoria da deputada estadual Eudiane Macedo

O Solar João Anselmo, mais conhecido como Museu Histórico de Lagoa dos Velhos ou simplesmente “Casa Velha”, é um dos principais patrimônios culturais do município de Lagoa de Velhos e um marco na preservação da memória e da identidade potiguar.

Localizado no coração da cidade, o espaço representa um elo vivo entre o passado e o presente, reunindo objetos, documentos e lembranças que contam a trajetória de Lagoa dos Velhos e de seu povo.

*Fotos: reprodução

O museu abriga um rico acervo histórico e cultural, com destaque para uma antiga bodega, que retrata o comércio tradicional da região; uma
biblioteca com obras sobre a história do Rio Grande do Norte; e salas temáticas dedicadas a Fabião das Queimadas, importante figura da cultura popular nordestina, e a João Anselmo, fundador do município.

O Solar João Anselmo é a primeira casa construída em Lagoa de Velhos, e por isso carrega um profundo valor simbólico para a cidade.

Reconhecendo sua relevância histórica e arquitetônica, a Fundação José Augusto (FJA) realizou o tombamento oficial do imóvel em 29 de outubro de 1998, garantindo sua preservação como patrimônio cultural do Estado do Rio Grande do Norte.

domingo, 31 de maio de 2026

Cantor potiguar Gilson, autor de ‘Casinha Branca’, morre aos 76 anos


O cantor e compositor potiguar Gilson Vieira da Silva, conhecido nacionalmente pelo sucesso Casinha Branca, morreu neste sábado (30) em Minas Gerais.

Natural de Macau, o artista marcou a música brasileira com composições gravadas por grandes nomes da MPB e da música popular.

A morte foi comunicada pela radialista e produtora cultural Giani Carla Aguiar, esposa do compositor. A causa do falecimento não foi divulgada pela família.

‘Casinha Branca’ marcou gerações

Lançada em 1979, “Casinha Branca” projetou Gilson em todo o país ao integrar a trilha sonora da novela Marrom Glacê. A canção permaneceu entre as mais executadas do Brasil por cerca de um ano e, posteriormente, ganhou regravações de artistas como Maria Bethânia e Fábio Jr..

Além de seu maior sucesso, o compositor assinou obras que também conquistaram espaço na música brasileira, como Verdade Chinesa, em parceria com Carlos Colla, Fim de Solidão e I Love You.

Trajetória artística
Gilson passou parte da infância entre Macau e Natal. Aos 14 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para investir na carreira musical.

Ao longo da trajetória, lançou os álbuns Vitrine (1980), Encontro Casual (1987) e Tempo Bom (1991).

Nos últimos anos, o compositor vivia no distrito de Boa Família, em Muriaé, onde mantinha uma rotina mais reservada.


*Portal 98 FM Natal

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Lei reconhece legado de Titina Medeiros como patrimônio cultural do RN



O Governo do Rio Grande do Norte sancionou a Lei nº 12.746, que reconhece como patrimônio cultural e artístico do Estado a vida e a obra da atriz potiguar Titina Medeiros. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) desta quarta-feira (27).

A legislação reconhece oficialmente a trajetória e a contribuição artística da atriz para a cultura do Rio Grande do Norte. A lei foi sancionada pela governadora Fátima Bezerra e o projeto foi uma proposta da deputada Divaneide Basílio.

Titina Medeiros morreu no dia 11 de janeiro deste ano, aos 48 anos, em decorrência de um câncer de pâncreas.

Nascida em Currais Novos em setembro de 1977, mas criada em Acari, na região Seridó potiguar, Titina construiu trajetória de mais de três décadas dedicada ao teatro, à televisão, ao cinema e à produção cultural. O reconhecimento oficial destaca a contribuição da artista para as artes cênicas e para o audiovisual brasileiro, com ênfase na valorização da identidade potiguar e nordestina.

Iniciou a carreira artística no começo da década de 1990 e participou de diversos espetáculos teatrais antes de atuar em produções da TV Globo.

Na televisão, esteve em novelas como  “Cheias de Charme”, Geração Brasil, A Lei do Amor, Onde Nascem os Fortes e Mar do Sertão. O último trabalho na TV foi em No Rancho Fundo, exibida em 2024, no papel de Nivalda.


OUTRAS HOMENAGENS

Em Acari, o Governo do Estado inaugurou, em 17 de abril, o Memorial Titina Medeiros – Território de Encantamentos, instalado na Casa de Cultura Popular Palácio Titina Medeiros. O espaço reúne figurinos, fotografias, objetos pessoais e instalações relacionadas à carreira da atriz. A criação do memorial foi realizada pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult/RN) e pela Fundação José Augusto (FJA). Durante a inauguração, o presidente da FJA, Gilson Matias, afirmou que o espaço busca preservar o pensamento coletivo defendido pela artista.

“Este memorial fortalece a resistência cultural e o pensamento coletivo que Titina sempre defendeu. Ela saiu de Acari, mas nunca deixou de puxar artistas potiguares para construir coletivamente. Este espaço não é apenas figurativo, mas vivo, para inspirar cada pessoa que o visite e tenha nela um exemplo”, declarou. O espaço expositivo foi concebido pelo cenógrafo e diretor teatral João Marcelino, com curadoria de Arlindo Bezerra, César Ferrario e do próprio Marcelino. A exposição foi organizada em três eixos: “Arquiteturas das Personagens”, “Portais da Memória” e “Anjo da Coroação”.

Também foi instalada no local uma escultura em metal. Outra homenagem ocorreu em Natal, no Teatro Sesc Sandoval Wanderley.

sábado, 18 de abril de 2026

Trajetória de Titina Medeiros ganha Memorial na Casa de Cultura Popular de Acari

Foto: Carmem Felix

O Governo do Rio Grande do Norte inaugurou, na noite desta sexta-feira (17), em Acari, o Memorial Titina Medeiros – Território de Encantamentos, um espaço permanente dedicado à preservação da memória e da trajetória de uma das mais importantes artistas potiguares. Instalado na Casa de Cultura Popular Palácio Titina Medeiros, o memorial reuniu autoridades, familiares, artistas e a comunidade local em uma cerimônia marcada por emoção, reconhecimento e celebração da vida e da obra da atriz. Reconhecida pela intensidade cênica e pela construção de personagens de forte identidade, Titina Medeiros partiu precocemente, no dia 11 janeiro de 2026.

A criação do memorial é uma iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult/RN) e da Fundação José Augusto (FJA), reafirmando o compromisso com a valorização da cultura potiguar e de seus protagonistas. O presidente da Fundação José Augusto, Gilson Matias, destacou o caráter simbólico e vivo do espaço.
“Este memorial fortalece a resistência cultural e o pensamento coletivo que Titina sempre defendeu. Ela saiu de Acari, mas nunca deixou de puxar artistas potiguares para construir coletivamente. Este espaço não é apenas figurativo, mas vivo, para inspirar cada pessoa que o visite e tenha nela um exemplo.” Disse Gilson Matias, presidente da Fundação José Augusto.

Criado pelo cenógrafo e diretor teatral João Marcelino, o espaço expositivo propõe uma imersão sensível no universo de Titina Medeiros, reunindo figurinos, fotografias, objetos pessoais e instalações que dialogam com diferentes momentos de sua trajetória artística. A curadoria é assinada por Arlindo Bezerra, César Ferrario e pelo próprio Marcelino.

Além do memorial, a governadora inaugurou uma escultura em metal do artista plástico Guaracy Gabriel, que deixa uma marca na memória de quem visita o memorial, através de uma imagem da atriz.

Durante a cerimônia, familiares da atriz ressaltaram a importância da iniciativa para a preservação de sua memória. Emocionada, Sandra Medeiros, mãe de Titina, declarou: “Desde que ela faleceu, eu não consigo olhar nenhuma foto dela. Aqui, vi várias fotos da minha filha e acabei chorando muito. Mas agradeço muito a todos que fizeram tudo isso, porque, se não fossem eles, nem a governadora, nada disso teria acontecido. Fizeram tudo de forma perfeita, muito bonito mesmo. Estou muito feliz, mas com muita saudade da minha filha, porque é uma saudade que não passa. Quanto mais os dias passam, mais eu sinto falta dela.”

O memorial está instalado no prédio onde funcionava a escola em que Titina deu seus primeiros passos na arte — espaço que hoje integra a rede estadual de Casas de Cultura Popular e passou a se chamar Palácio Titina Medeiros, por decreto assinado pela governadora em janeiro deste ano.

Mais do que um espaço expositivo, o Memorial Titina Medeiros se propõe como um território de experiências, onde o público é convidado a percorrer fragmentos, imagens e presenças que traduzem a potência artística e humana da atriz. A exposição está organizada em três eixos — Arquiteturas das Personagens, Portais da Memória e Anjo da Coroação — que revelam diferentes dimensões de sua trajetória.

A programação de inauguração contou ainda com apresentações musicais de artistas potiguares. O público acompanhou o show de abertura com Julhin de Tia Lica e, em seguida, o espetáculo “Constância das Las Tchicas”, com participação de Ângela Castro, Giovanna Araújo, Michelle Ferret, Tiquinha Rodrigues, Valéria Oliveira, Bia Ferrário e convidados.
Com acesso gratuito, o Memorial Titina Medeiros passa a integrar o circuito cultural do Rio Grande do Norte como um espaço de referência para a preservação da memória artística, formação de público e estímulo à produção cultural no estado.



















Memorial Titina Medeiros – Território de Encantamentos celebra a história e a memória da atriz

Para além de apresentar uma biografia, o memorial propõe um percurso no qual o público relaciona-se com fragmentos, objetos e presenças que a potência de vida de Titina Medeiros desperta. Esse é um modo e um meio de comemorar suas inestimáveis contribuições para a cultura, e também estimular novas e constantes realizações e trabalhos nas artes. Não há aqui a tentativa de explicar ou fechar sentidos, mas de abrir caminhos de conhecimento, reflexão e emoção. O espaço se organiza como um percurso, onde o público percorre por fragmentos, objetos e presenças que ainda vibram.

Com expografia assinada por João Marcelino e curadoria de Arlindo Bezerra, César Ferrario e do próprio Marcelino, a exposição se desdobra em três cenas: Arquiteturas das Personagens, Portais da Memória e Anjo da Coroação. Cada cena revela uma camada distinta: personagens que marcaram sua trajetória, a artista atravessada por memórias e a dimensão simbólica que sustenta sua imaginação e espiritualidade.

No centro da sala, o Anjo da Coroação se eleva sobre uma rocha, instaurando um campo de silêncio e contemplação. A instalação tem como base a obra A Xanana de Nossa Senhora de Lourdes, do artista plástico Ivan Simplício. Ao redor, figurinos originais, imagens e instalações conduzem o visitante por diferentes momentos de sua trajetória. Esta intervenção faz uma referência a uma foto emblemática da infância de Titina quando ela coroa Nossa Senhora de Lourdes em uma festividade da cidade.

Sobre Titina Medeiros

Nascida em Currais Novos-RN e criada em Acari-RN, Titina Medeiros construiu uma carreira de mais de três décadas, tornando-se referência nacional nas artes cênicas. Atuou em grupos como Clowns de Shakespeare, Grupo Carmin e Casa de Zoé, além de ganhar projeção nacional ao interpretar Socorro, na novela Cheias de Charme, da Rede Globo. Seu percurso também passa pelo cinema e por diversas produções televisivas, sempre marcado por uma presença singular e profundamente enraizada em suas origens. O Memorial se constrói a partir de muitas mãos e memórias. Reúne fragmentos de quem esteve ao lado de Titina e faz desse espaço um lugar onde ela continua acontecendo.

“Este memorial não pretende contê-la. Não ousa fixá-la, nem a encerrar em moldura alguma. O que aqui se oferece são apenas vestígios luminosos: lampejos, fragmentos, filetes de riso, de voz, de gesto, faíscas de uma existência vasta e inquieta demais para se caber inteira”, afirma o curador e companheiro César Ferrario.

Para João Marcelino, que acompanha Titina desde quando a atriz ingressou no Grupo de Teatro Tambor, e que ao longo da vida assinou figurinos de diversos espetáculos em que ela atuou, o processo de criação da exposição se deu de forma muito próxima à própria construção da cena: “Titina era uma atriz de escuta, de profundidade, de posicionamento. Vestir Titina era um processo de troca, de ir construindo junto. Cada forma, cada dobra ia surgindo com a personagem. Assinar essa expografia agora é um gesto muito simbólico, é como seguir tecendo esses fios que a gente começou lá atrás.”

Com produção da Bobox Produções e Casa de Zoé, o Memorial Titina Medeiros se estabelece como um importante espaço de preservação e acesso à memória artística potiguar. Com realização do Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secult/RN, FJA, da coordenação das Casas de Cultura Popular, Departamento Estadual de Imprensa/A República (Dei-RN) e Gráfica Manimbu, o Memorial conta com apoio institucional da Prefeitura de Acari e da Fundação Hélio Galvão.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Projeto propõe reconhecer Titina Medeiros como patrimônio cultural do RN

Projeto na Assembleia propõe reconhecer Titina Medeiros como Patrimônio Cultural Imaterial do RN. 
Foto: Divulgação.

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte recebeu o Projeto de Lei nº 7/2026, que propõe o reconhecimento da vida e da obra da atriz potiguar Titina Medeiros como Patrimônio Imaterial, Cultural e Artístico do Estado. A iniciativa é da deputada estadual Divaneide Basílio (PT/RN).

A matéria prevê o reconhecimento oficial da trajetória da artista, que acumula mais de 30 anos de atuação no teatro, no audiovisual e na produção cultural. Natural de Currais Novos e criada em Acari, Titina consolidou carreira mantendo vínculos com a identidade e a cultura do Rio Grande do Norte.

No teatro, construiu percurso marcado pela versatilidade e pela valorização de narrativas nordestinas. A atriz integrou grupos como:

Grupo Tambor de Teatro
Clowns de Shakespeare
Casa de Zoé

No audiovisual, ganhou projeção nacional ao interpretar a personagem Socorro na novela Cheias de Charme, exibida pela TV Globo. Ao longo da carreira, também participou de produções como:

Geração Brasil
A Lei do Amor
Onde Nascem os Fortes
Mar do Sertão
Cangaço Novo
No Rancho Fundo
Os Roni

Para a deputada Divaneide Basílio, a proposta representa reconhecimento institucional à contribuição artística da atriz. “Titina viverá sempre em nossos corações, seu legado estará sempre nas artes. Trata-se de uma artista que, mesmo com projeção nacional, nunca se afastou de suas origens e sempre contribuiu para fortalecer a produção cultural do nosso estado”, destacou.

Além da atuação nos palcos e na televisão, Titina Medeiros também exerceu funções como produtora, diretora e articuladora cultural, colaborando na criação e manutenção de espaços e iniciativas voltadas à formação artística e à difusão cultural no Estado. Segundo a parlamentar, a trajetória da artista ultrapassa conquistas individuais e integra a memória cultural potiguar.

O projeto segue em tramitação na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Governo do RN dá nome de Titina Medeiros à casa de cultura da cidade onde atriz cresceu

Casa de Cultura de Acari, agora rebatizada como Palácio Titina Medeiros, recebeu anúncio da homenagem durante o velório da atriz. - Foto: Carmem Felix

A Casa de Cultura do município de Acari, na região do Seridó potiguar, passou a se chamar oficialmente Casa de Cultura Popular Palácio Titina Medeiros, em homenagem à atriz potiguar que faleceu no último domingo (11), aos 49 anos, em decorrência de um câncer no pâncreas.

A mudança foi determinada por meio de um decreto publicado nesta terça-feira (13) pelo governo do estado. A homenagem reconhece a trajetória de Izabel Cristina de Medeiros, mais conhecida como Titina, que foi sepultada nesta segunda (12) na cidade onde cresceu.


Fotos: Raiane Miranda e Carmem Felix

No decreto, o governo destaca a forte ligação histórica, cultural e afetiva da artista com o município de Acari, além da atuação dela em iniciativas voltadas ao fortalecimento das políticas culturais locais. O texto cita, inclusive, os esforços da atriz para a implantação de uma Casa de Cultura na cidade.

O corpo da artista foi velado no prédio, nesta segunda-feira (12). No imóvel, também funcionou o antigo grupo escolar do município, onde Titina estudou. A fachada é preservada.

No texto do decreto, a governadora Fátima Bezerra (PT) ressalta a relevante carreira artística de Titina Medeiros no teatro, no cinema e na televisão brasileira, com projeção nacional, e a contribuição dela para ampliar a visibilidade da produção cultural do Rio Grande do Norte e das expressões culturais da região Seridó.

Sepultamento

O corpo da atriz foi sepultado no início da noite desta segunda-feira (12) no cemitério municipal de Acari.

O corpo da atriz começou a ser velado na noite de domingo e seguiu até a manhã desta segunda no Teatro Alberto Maranhão, um dos mais tradicionais palcos da cultura do Rio Grande do Norte, em Natal.

Pouco antes das 10h, o corpo deixou o local sob homenagens para ser levado para Acari, no Seridó potiguar. O corpo chegou à cidade por volta das 15h e foi velado na casa de cultura do município.

O corpo ainda seguiu para Basílica Menor de Nossa Senhora da Guia, em Acari, para a missa de corpo presente. Em seguida, foi levado para o cemitério municipal de Acari, onde foi sepultado, sob aplausos e forte comoção de familiares, amigos e moradores da cidade.

O caixão de Titina carregava as bandeiras do Rio Grande do Norte e de Acari.

Quem foi Titina

Natural de Currais Novos, no interior do Rio Grande do Norte, Izabel Cristina de Medeiros foi criada em Acari e construiu a carreira a partir do teatro potiguar. Além das atuações em novelas, séries e filmes, integrou grupos como o Casa de Zoé e o Candeia, onde também atuava como diretora, sendo reconhecida pela contribuição à formação artística no estado.

Na televisão, ganhou projeção nacional em 2012 ao interpretar Socorro, a "personal colega" de Chayene, personagem de Cláudia Abreu, na novela "Cheias de Charme", seu primeiro trabalho em novelas da TV Globo. Depois, participou de produções como Geração Brasil, A Lei do Amor, Onde Nascem os Fortes, Mar do Sertão e No Rancho Fundo (2024).

Fonte: G1/RN

Governo do RN dá nome de Titina Medeiros à casa de cultura da cidade onde atriz cresceu


A Casa de Cultura do município de Acari, na região do Seridó potiguar, passou a se chamar oficialmente Casa de Cultura Popular Palácio Titina Medeiros, em homenagem à atriz potiguar que faleceu no último domingo (11), aos 49 anos, em decorrência de um câncer no pâncreas.

A mudança foi determinada por meio de um decreto publicado nesta terça-feira (13) pelo governo do estado. A homenagem reconhece a trajetória de Izabel Cristina de Medeiros, mais conhecida como Titina, que foi sepultada nesta segunda (12) na cidade onde cresceu.


Fotos: Raiane Miranda e Carmem Felix

No decreto, o governo destaca a forte ligação histórica, cultural e afetiva da artista com o município de Acari, além da atuação dela em iniciativas voltadas ao fortalecimento das políticas culturais locais. O texto cita, inclusive, os esforços da atriz para a implantação de uma Casa de Cultura na cidade.

O corpo da artista foi velado no prédio, nesta segunda-feira (12). No imóvel, também funcionou o antigo grupo escolar do município, onde Titina estudou. A fachada é preservada.

No texto do decreto, a governadora Fátima Bezerra (PT) ressalta a relevante carreira artística de Titina Medeiros no teatro, no cinema e na televisão brasileira, com projeção nacional, e a contribuição dela para ampliar a visibilidade da produção cultural do Rio Grande do Norte e das expressões culturais da região Seridó.

Sepultamento

O corpo da atriz foi sepultado no início da noite desta segunda-feira (12) no cemitério municipal de Acari.

O corpo da atriz começou a ser velado na noite de domingo e seguiu até a manhã desta segunda no Teatro Alberto Maranhão, um dos mais tradicionais palcos da cultura do Rio Grande do Norte, em Natal.

Pouco antes das 10h, o corpo deixou o local sob homenagens para ser levado para Acari, no Seridó potiguar. O corpo chegou à cidade por volta das 15h e foi velado na casa de cultura do município.

O corpo ainda seguiu para Basílica Menor de Nossa Senhora da Guia, em Acari, para a missa de corpo presente. Em seguida, foi levado para o cemitério municipal de Acari, onde foi sepultado, sob aplausos e forte comoção de familiares, amigos e moradores da cidade.

O caixão de Titina carregava as bandeiras do Rio Grande do Norte e de Acari.

Quem foi Titina

Natural de Currais Novos, no interior do Rio Grande do Norte, Izabel Cristina de Medeiros foi criada em Acari e construiu a carreira a partir do teatro potiguar. Além das atuações em novelas, séries e filmes, integrou grupos como o Casa de Zoé e o Candeia, onde também atuava como diretora, sendo reconhecida pela contribuição à formação artística no estado.

Na televisão, ganhou projeção nacional em 2012 ao interpretar Socorro, a "personal colega" de Chayene, personagem de Cláudia Abreu, na novela "Cheias de Charme", seu primeiro trabalho em novelas da TV Globo. Depois, participou de produções como Geração Brasil, A Lei do Amor, Onde Nascem os Fortes, Mar do Sertão e No Rancho Fundo (2024).

Fonte: G1/RN

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Livro “Ilha de Manoel Gonçalves: Vida e Morte”



“Ilha de Manoel Gonçalves: Vida e Morte”, de João Felipe da Trindade @jftrindade, é uma investigação histórica minuciosa sobre uma localidade hoje desaparecida do litoral potiguar, mas que teve papel relevante na formação econômica e social do Rio Grande do Norte entre os séculos XVIII e XIX. A partir de ampla pesquisa em arquivos, documentos oficiais, registros paroquiais, cartas, inventários e relatos de época, o autor reconstrói a trajetória da ilha, marcada pela atividade portuária, pela exploração do sal, pela circulação de pessoas e pela posterior submersão física e simbólica pelo avanço do mar.

O livro articula história regional, genealogia e memória coletiva, destacando personagens anônimos e figuras centrais da ocupação do território, além de conexões com Macau, Assú e outras localidades vizinhas.

Embora assuma não ser uma obra definitiva, o estudo se impõe pela densidade documental e pelo esforço de sistematização, oferecendo contribuição relevante para a historiografia potiguar e para a preservação de uma memória quase apagada.

O download gratuito está disponível no acervo digital da EDUFRN, através do link https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/66627


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Museu do Seridó lança livro sobre identidade seridoense


O livro Museu do Seridó em Ação: valorizando a identidade seridoense (Volume 1) foi lançado recentemente em Caicó, reunindo pesquisas e experiências desenvolvidas a partir da atuação do Museu do Seridó em diálogo com a Universidade e a comunidade. A obra é resultado de uma parceria entre o projeto de extensão SI Inspira e o Museu do Seridó, vinculados ao Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres/UFRN), e está disponível gratuitamente para download.

Organizado por Anna Cláudia Nobre, diretora do museu, pelo professor Rogério Lima, vice-diretor do Ceres, e por Giovanna de Melo e Matheus Fernandes, estudantes bolsistas de iniciação científica, o livro reúne sete capítulos escritos por pesquisadores, docentes e discentes da UFRN. Os textos abordam temas como o uso de tecnologias na relação entre museu e público, a valorização da cultura regional por meio da música, da fotografia e da memória, além de reflexões sobre identidade, transformações no Seridó, arqueologia e mediação cultural.

Fundado em 1962 pelo padre Antenor Salvino de Araújo, o Museu do Seridó é apresentado na obra como um espaço vivo de preservação, educação e encontro social. Mais do que um registro institucional, o livro evidencia o papel do museu como parte essencial da valorização da identidade seridoense e marca um momento importante das ações de pesquisa, extensão e divulgação científica desenvolvidas na região, inaugurando o primeiro volume de uma coleção dedicada à cultura e à memória do Seridó potiguar.

Para Giovanna de Melo, estudante do curso de Sistemas de Informação, que atuou na revisão dos capítulos, a produção reforçou a importância da formação científica em sua trajetória acadêmica. “Essa experiência evidenciou que a formação científica é fundamental independentemente do curso e ampliou minha compreensão sobre os bastidores da produção científica, indo além da escrita autoral e fortalecendo minha atuação como pesquisadora”, relata.

Já para Anna Cláudia, o livro representa mais do que uma realização acadêmica: é um registro material da importância de uma cultura forte e resistente. “O povo seridoense é portador de um patrimônio histórico, cultural e simbólico de grande relevância, que precisa ser continuamente registrado, interpretado e compartilhado. Este livro materializa esse compromisso ao transformar experiências de pesquisa e extensão em conhecimento acessível, fortalecendo os vínculos entre o Museu, a Universidade e a comunidade e reafirmando o Museu do Seridó como um espaço de diálogo, pertencimento e construção coletiva da memória regional”, afirma a diretora.


Para baixar o livro, clique aqui 

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Livro “Dona Militana – Tradução estética de narrativas da romanceira potiguar”


O livro “Dona Militana – Tradução estética de narrativas da romanceira potiguar” é um encontro entre memória, arte e tradição oral. Nesta obra, Angela Almeida @angelaalmeidaa mergulha no universo da maior romanceira do Brasil para recriar, em desenhos livres e interpretações estéticas, as camadas simbólicas dos romances cantados por Dona Militana.

Fruto de uma pesquisa que atravessa arquivos sonoros, transcrições e estudos da cultura popular potiguar, o livro revisita a vida de Maria José (a Dona Militana), seu vasto repertório de mais de setenta romances e a força de sua presença artística, reconhecida nacionalmente com a Comenda do Mérito Cultural Brasileiro.

Além do trabalho visual e literário, a obra recebeu um destaque especial: foi indicada ao Prêmio Jabuti, na categoria Capa. De autoria de Rafael Campos @rafaelcampos.design, a capa, marcada por cores, textura e potência simbólica, traduz a presença singular da romanceira e dialoga diretamente com o espírito do livro.

O resultado é uma obra que aproxima passado e presente, revelando a força estética e histórica do canto de Dona Militana e sua permanência na cultura potiguar.

O livro está disponível gratuitamente no endereço https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/60676

Fonte: EDUFRN

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

UFRN inaugura estátua de Aldo Parisot, ícone potiguar da música clássica mundial

Estátua em homenagem a Aldo Parisot será inaugurada no pátio da EMUFRN. Foto: Cícero Oliveira

A Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN) inaugurou
nesta quarta-feira(19 de novembro), uma estátua dedicada a Aldo Parisot, reconhecido como o músico potiguar mais respeitado internacionalmente.

A obra homenageia o legado de um artista que teve grande influência na performance e na educação do violoncelo pelo mundo. Natural de Natal, Parisot se tornou uma figura de destaque mundial para o violoncelo, construindo uma carreira que o levou a se apresentar com algumas das orquestras mais renomadas, incluindo a Filarmônica de Berlim, a de Nova Iorque, a de Viena e a de Chicago. “Quando viajo para tocar fora do Brasil, muitos músicos nunca ouviram falar de Natal, mas todos conhecem o nome de Parisot”, afirma o professor Fábio Presgrave, da EMUFRN.

Além de sua trajetória como solista, Aldo Parisot desempenhou um papel crucial na promoção do violoncelo moderno. Ele foi professor da Yale School of Music por seis décadas.  Seu impacto no ensino formou várias gerações de violoncelistas que hoje ocupam cargos importantes em orquestras e universidades ao redor do mundo. “A relação entre professor e aluno na música é muito forte, e Parisot atraía estudantes de vários continentes. Seus discípulos estão espalhados pelo planeta”, comenta Presgrave. 

A proposta da estátua teve origem com o ex-reitor Diógenes da Cunha Lima, que também foi responsável pela doação da obra à universidade. A escultura foi elaborada pelo artista potiguar Ojuara, conhecido por suas produções que exaltam figuras da cultura potiguar.  Para Pregrave, o gesto visa “imortalizar a imagem de Parisot na nossa universidade e na nossa cidade, reforçando o vínculo entre o artista e sua terra natal”.

A homenagem também se relaciona a outra representação do músico que é vista diariamente por diversas pessoas, mas muitas vezes sem reconhecimento: o grafite do rosto de Parisot na parede da passarela  localizada na Avenida Salgado Filho, próximo ao viaduto do Quarto Centenário.  “É uma das avenidas mais movimentadas de Natal, Parisot é um herói potiguar, como Câmara Cascudo e Nísia Floresta. Ter sua imagem ali é uma forma de o povo se apropriar do nome e do legado que ele deixou”, ressalta o professor Presgrave.  

A celebração vai além da escultura. A Escola de Música da UFRN desenvolve  ações que carregam o nome e o espírito de Aldo Parisot, incluindo o Projeto Aldo Parisot, que é realizado em colaboração com a Faculdade de Engenharia, Letras e Ciências Sociais do Seridó (FELCS), o Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES) e a Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec). Este projeto beneficia meninas de Currais Novos e Caicó, proporcionando aulas de violino, viola e violoncelo, que são instrumentos de corda com pouca tradição nessas localidades. “Essas meninas são pioneiras no estudo desses instrumentos em suas comunidades. É uma forma muito bonita de manter viva a memória de Parisot e expandir o alcance da música no interior do estado”, comenta Presgrave. 

Ação do MPRN leva ao tombamento da Igreja Matriz de Ceará-Mirim como Patrimônio Cultural do RN

Foto: reprodução/MPRN.

O atual Santuário de Nossa Senhora da Conceição foi tombado por sentença como Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Rio Grande do Norte. A decisão de mérito foi proferida nos autos de uma Ação Civil Pública (ACP n. 0803107-46.2019.8.20.5102) ajuizada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) em 2019, através da 2ª Promotoria de Ceará-Mirim. A Promotoria apurou em Inquérito Civil Público a necessidade do reconhecimento do valor histórico, arquitetônico e cultural do bem.

Na ação, a Promotoria demonstrou por estudos técnicos, a importância histórica e cultural da edificação e, apesar de constarem como réus, a Fundação José Augusto, a Arquidiocese de Natal (proprietária do bem) e a Paróquia Nossa Senhora da Conceição (gestora do templo), todos, ao final do processo, manifestaram total anuência e se posicionaram favoravelmente ao tombamento.

De acordo com a sentença, o tombamento deve abranger toda a edificação da Igreja Matriz, incluindo a sua área interna e externa, bem como todos os elementos arquitetônicos originais preservados. A Fundação José Augusto (FJA) deve proceder à inscrição do tombamento no Livro do Tombo do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Norte no prazo de 30 dias. Além disso, deverá apresentar, em 180 dias, um estudo técnico para a delimitação da poligonal da área de entorno do bem tombado.

O MPRN ajuizou a ação, devido à paralisação do processo administrativo de tombamento. Embora o procedimento tivesse sido deflagrado por requerimento da própria Arquidiocese de Natal em 2017, o processo permanecia paralisado há mais de sete anos, aguardando parecer do Conselho Estadual de Cultura.

O Ministério Público destacou que essa demora na conclusão do processo administrativo colocava o patrimônio cultural em risco, pois o bem vinha sofrendo intervenções e descaracterizações ao longo dos anos. Diante da inviabilidade de se aguardar o parecer, o MPRN requereu o julgamento antecipado da lide. O Juízo reconheceu a legitimidade da intervenção judicial para suprir a omissão administrativa.





Fonte: MPRN

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Antônio Francisco, patrimônio da cultura potiguar


Nesta terça-feira (21), o poeta Antônio Francisco completa 76 anos de vida.

Nascido em 1949, o cordelista mossoroense cresceu no bairro Lagoa do Mato e, a partir dali, construiu uma trajetória marcante na literatura popular brasileira.

Desde 2006, Antônio ocupa a cadeira de número 15 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, cujo patrono é o poeta cearense Patativa do Assaré.

Apesar do talento reconhecido, ele só iniciou sua carreira literária aos 46 anos. Em diversas entrevistas, Antônio conta que sempre foi fã de esportes, especialmente do ciclismo, o que, segundo ele, adiou seu envolvimento com a literatura.

Autor de seis livros e mais de 50 cordéis, sua produção literária é amplamente reconhecida no país, sendo objeto de estudo de compositores e pesquisadores, entre eles o poeta cearense Bráulio Bessa, admirador declarado de sua obra.


Além de poeta e cordelista, Antônio Francisco também é compositor, xilógrafo e bacharel em História pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Pela mesma instituição, recebeu o título de Doutor Honoris Causa. O artista mossoroense também foi reconhecido como Patrimônio Vivo da Cultura Potiguar (RPV), título concedido pelo Governo do Estado.

Durante as últimas edições do Mossoró Cidade Junina, o Polo Poeta Antônio Francisco, localizado no Memorial da Resistência, tem homenageado o cordelista em um espaço dedicado à celebração da cultura e de sua contribuição para a identidade mossoroense e nordestina.

*Com informações da TCM Notícia

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Beco da Lama é reconhecido como patrimônio cultural do RN


O Beco da Lama, reduto histórico da boemia, da arte de rua e da cultura popular natalense, agora é oficialmente Patrimônio Cultural Material do Rio Grande do Norte. O reconhecimento foi formalizado pela Lei nº 12.469, sancionada pela governadora Fátima Bezerra e publicada nesta sexta-feira (17), no Diário Oficial.

A proposta, aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo Executivo estadual, tem o objetivo de garantir proteção e valorização ao Beco da Lama, conhecido por abrigar manifestações artísticas, festivais de rua, blocos carnavalescos e grafites que transformaram o local em uma galeria a céu aberto.

Localizado no centro histórico de Natal, o Beco da Lama é conhecido por reunir artistas, músicos, jornalistas, poetas e frequentadores que fazem do local um ponto de encontro tradicional da cena cultural potiguar. Nos últimos anos, entre altos e baixos, o espaço passou por um processo de revitalização e é um dos principais símbolos da vida cultural da cidade.

Com a nova lei, o espaço passa a ter reconhecimento oficial como patrimônio cultural material do Estado, o que destaca a importância histórica e simbólica para o Rio Grande do Norte. O Beco da Lama já havia sido reconhecido anteriormente como patrimônio imaterial de Natal pela Câmara Municipal.

Foto: Magnus Nascimento

*Com informações da Tribuna do Norte

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

UFRN outorga título de doutor honoris causa (post mortem) a Newton Navarro


A vida e obra do artista multifacetado Newton Navarro Bilro foram celebradas nesta quinta-feira, 9, com uma programação especial com teatro, literatura e a outorga do título de Doutor Honoris Causa (post mortem), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Na abertura do evento, ocorreu a encenação de um dos roteiros de Newton Navarro, “Hoje tem poesia!”, adaptado e dirigido pela professora Ana Caldas Lewinsohn, vice-diretora do Núcleo de Arte e Cultura da UFRN e coordenadora do Laboratório de Experimentos em Atuação e Máscaras (LabMASK). A apresentação contou com as participações especiais do professor e folclorista, Tarcísio Gurgel, e do músico e compositor, Mirabô Dantas, que estiveram presentes na montagem original do texto, ao lado de Newton Navarro, no Teatro Alberto Maranhão, em 1966.

Em seguida, ocorreu a Assembleia Universitária de Outorga de Título de Doutor Honoris Causa. Em seu discurso durante a cerimônia, o reitor da UFRN, José Daniel Diniz Melo, destacou que Newton Navarro é uma dessas figuras que representa a cultura do Rio Grande do Norte. E agora passa a integrar a galeria de Doutores Honoris Causa, uma das maiores e mais exclusivas honrarias da academia, que se junta a outras justas homenagens que recebeu.

“Seus talentos não encontravam limites em gêneros ou formas de expressões artísticas. Os que estudam a obra de Newton Navarro sentem alguma dificuldade em estabelecer uma prioridade no campo da sua criação: o que teria vindo primeiro o escritor, pintor, jornalista, dramaturgo, cronista, orador, educador? São tantas manifestações que coexistiam e transformaram o homenageado desta noite em um potente representante da nossa matriz cultural”, enfatizou Daniel Diniz.

O professor Tarcísio Gurgel realizou a leitura do currículo de Newton Navarro e enalteceu seu legado para a cultura potiguar. “É uma figura muito admirada pelas pessoas que amam a arte em todos os formatos, porque ele foi notável no que produziu na literatura, nos quadros que pintou, nos discursos que proferiu, nas crônicas que escreveu, na presença cotidiana em todos os cantos de Natal”, declarou Tarcísio Gurgel.


Foto: Cícero Oliveira

O presidente da Academia Norte-Riograndense de Letras (ANRL), Diógenes da Cunha Lima, recebeu o diploma em homenagem a Newton Navarro e destacou o pioneirismo do artista na arte moderna no estado. “Mestre maior da pintura nordestina e um intelectual polivalente como poeta, dramaturgo, cronista, pintor e desenhista”.

Foto: Cícero Oliveira

Após a Assembleia, o público presente ainda participou do lançamento do livro “A dramaturgia de Newton Navarro”, organizado pelo professor e escritor Tarcísio Gurgel, reunindo três espetáculos dramáticos encenados nos anos 1960 em Natal: “Um Jardim chamado Getsêmani”, “Hoje tem Poesia” e “O Caminho da Cruz”. Com prefácio do teatrólogo Racine Santos e ilustrado com fotos dos espetáculos originais, o livro é publicado pela Editora da UFRN.

A obra apresenta uma faceta pouco conhecida do multiartista potiguar, mais lembrado por sua pintura, e reafirma sua contribuição à cena teatral do Rio Grande do Norte. Na ocasião, também foi aberta a exposição “Os frutos do amor amadurecem ao sol”, que reúne obras visuais do artista, com curadoria de Angela Almeida e Elidete Alencar.

Foto: Cícero Oliveira

Fonte: Portal da UFRN