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terça-feira, 30 de junho de 2026

Centro Cultural Trampolim da Vitória é reconhecido como patrimônio histórico e cultural do RN

Foto: reprodução

O Centro Cultural Trampolim da Vitória (CCTV), localizado em Parnamirim, foi oficialmente reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural, Material e Imaterial do Rio Grande do Norte. A medida está prevista na Lei nº 12.788, de 26 de junho de 2026, publicada no Diário Oficial do Estado.

O reconhecimento foi viabilizado por meio de articulação do vereador Professor Ítalo junto ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, deputado Ezequiel Ferreira, autor da proposta que resultou na nova legislação.

A lei garante proteção ao patrimônio material do espaço, como edificações, documentos, fotografias, objetos e equipamentos de exposição, além de preservar seu patrimônio imaterial, composto pelas memórias, narrativas históricas e ações educativas desenvolvidas pelo centro cultural.

Instalado no antigo Aeroporto Internacional Augusto Severo, o CCTV preserva a história de Parnamirim durante a Segunda Guerra Mundial, período em que a cidade se tornou ponto estratégico para as forças aliadas. O espaço reúne um amplo acervo histórico e recebe visitantes de diversas regiões do Brasil e do exterior.

Com o reconhecimento, o Governo do Estado passa a adotar medidas voltadas à preservação, manutenção e valorização do Centro Cultural, fortalecendo também o turismo histórico e cultural em Parnamirim.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Medalha homenageia potiguar que foi 1ª mulher reitora de universidade pública no Brasil


Poucos sabem, mas um marco da educação superior brasileira começou no Rio Grande do Norte. Foi na então Universidade Regional do Rio Grande do Norte (URRN), atual Uern, que a professora Maria Gomes, nascida em Apodi, se tornou a primeira mulher a assumir a reitoria de uma universidade pública no país. Agora, quase cinco décadas depois de sua gestão, esse pioneirismo passa a dar nome a uma honraria nacional: a Medalha Magnífica Reitora Maria Gomes, instituída pela Abruem (Associação Brasileira de Reitoras e Reitores das Universidades Estaduais e Municipais).

A medalha foi criada durante o 75º Fórum Abruem, realizado em Porto Alegre (RS). A instituição da honraria ocorreu por meio da Resolução nº 01/2026, aprovada pelo Pleno da entidade, a partir de proposta apresentada por Cicília Maia, presidente da Abruem e reitora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

Maria Gomes esteve à frente da URRN entre janeiro de 1973 e janeiro de 1977. Sua chegada ao cargo máximo da instituição abriu caminho em um período no qual a presença de mulheres em espaços de liderança universitária ainda era rara. O gesto, que nasceu no RN, tornou-se referência nacional na história da educação pública.

A Medalha Reitora Maria Gomes será concedida a personalidades femininas que se destacam em causas educacionais e sociais. A honraria reconhecerá mulheres com atuação marcada pela ética, dedicação e compromisso com a transformação da sociedade, especialmente nas áreas de educação, inclusão social, cidadania e desenvolvimento humano.

A entrega da medalha ocorrerá durante os Fóruns Nacionais da Abruem, realizados duas vezes por ano.

Para Cicília Maia, a criação da honraria recupera uma memória essencial da universidade pública brasileira e reafirma a contribuição feminina para a educação.

“A reitora Maria Gomes abriu caminhos em um período em que os espaços de liderança feminina eram ainda mais restritos. Instituir esta medalha é reconhecer sua coragem, sua trajetória e sua contribuição histórica para a educação superior pública no Brasil. É também uma forma de manter viva a memória de mulheres que transformaram instituições e impactaram gerações”, destacou Cicília Maia.

Cicília Maia é a terceira mulher a assumir a reitoria da Uern, quase cinco décadas após a gestão pioneira de Maria Gomes, e tornou-se a primeira reitora reeleita da história da Universidade. Antes dela, a professora Nevinha Gurgel também ocupou o cargo.

A trajetória feminina na gestão superior da Uern inclui ainda Fátima Raquel Morais. Então vice-reitora, ela assumiu a reitoria em 2020 e permaneceu até setembro de 2021, período em que conduziu a Universidade durante a pandemia de Covid-19. Por essa atuação, passou a integrar a galeria de ex-reitores da instituição.

Com a criação da medalha, a história de Maria Gomes deixa de ser apenas um marco da Uern e do Rio Grande do Norte para se transformar em símbolo nacional de reconhecimento a mulheres que ampliaram o alcance social da educação pública.

Maria Gomes de Oliveira nasceu em Apodi

Nascida em Apodi, em 30 de novembro de 1925, Maria Gomes de Oliveira construiu uma trajetória ligada à educação desde cedo. Estudou em sua cidade natal e, ainda jovem, mudou-se para Mossoró, onde concluiu o Magistério na Escola Normal. Formou-se em Serviço Social pela UFRN, com bolsa obtida por intermédio de Dom Costa, e voltou a Mossoró, onde atuou em diferentes frentes da educação e da formação profissional, com participação na criação do Sesi e do Senai na cidade.

Foi a primeira secretária de Educação de Mossoró, entre 1963 e 1969, e, em 1973, chegou à reitoria da instituição que daria origem à atual UERN, sucedendo João Batista Cascudo Rodrigues e tornando-se a primeira mulher a comandar uma universidade pública no Brasil. Também foi secretária de Educação de Natal. Maria Gomes morreu em 1º de fevereiro de 2015, em Natal.

terça-feira, 12 de maio de 2026

TJRN fortalece preservação e divulgação da trajetória da justiça potiguar


A certidão que registra a venda de uma criança escravizada no interior do Rio Grande do Norte em 1858. O processo contra um dos criminosos que aterrorizou a cidade de Natal durante a década de 1960. Esses documentos são apenas alguns exemplos da riqueza histórica presente no Memorial da Justiça Desembargador Vicente de Lemos, localizado no bairro Cidade Alta, na capital potiguar. Com a celebração do Dia da Memória do Poder Judiciário em 10 de maio, revisitar esses registros é também uma maneira de recordar e garantir maior preservação e destaque à trajetória da Justiça estadual.

Instituído pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da Resolução n° 316/2020, o Dia da Memória do Judiciário foi criado com o objetivo de gerar maior visibilidade à lembrança e à história da Justiça brasileira. No Rio Grande do Norte, o Memorial da Justiça foi instituído em 1999, passando a ser denominado no ano seguinte Memorial do Poder Judiciário do Estado do Rio Grande do Norte Desembargador Vicente de Lemos, em homenagem ao jurista Vicente Simões de Lemos (1850-1918), integrante da Corte de Justiça potiguar na primeira metade do século XX.

Segundo o professor e historiador, integrante do Seção de Gestão Documental e Memória, Halyson Oliveira, celebrar o Dia da Memória da Justiça significa refletir sobre nossa trajetória histórica, enquanto pessoas e enquanto instituição. O servidor considera ainda como um momento chave no ano, para pensar em história, na trajetória da instituição e na importância da memória, por considerar que a memória e a história estão diretamente ligados ao exercício da cidadania.

“Ao fazermos a análise histórica dessa rica documentação na longa duração, observamos mudanças muito significativas da nossa sociedade e que a documentação judicial registra isso, ela espelha isso. Então, pensar na memória, esse dia da memória, é o momento para a gente refletir, tentar sensibilizar e construir juntos essa gestão de memória. É claro que hoje em dia o Tribunal tem uma equipe técnica qualificada para isso, mas talvez o dia da memória seja o dia para a gente incentivar e valorizar o servidor como guardião da memória também, porque isso é uma postura coletiva”, evidenciou Halyson Oliveira.



Processos históricos

No Memorial da Justiça do RN, estão presentes mais de 10 mil itens documentais. Dentre esses registros, é possível se debruçar em histórias de cidadãos comuns na busca de seus direitos, ou até mesmo de pessoas que deixaram, de alguma forma, marcas na região. Um dos documentos mais impactantes trata de um processo de arrematação e venda de uma criança escravizada aos oito anos de idade, fato ocorrido em 1858 na Comarca

da Maioridade, Província do Rio Grande do Norte, hoje conhecido como o Município de Martins.

De acordo com o processo, a criança foi “avaliada” inicialmente no valor de 800 mil réis, para viabilizar a partilha entre múltiplos herdeiros de uma família da região. O documento conta com a compra inicial e a revenda da escravizada, desde o anúncio público até a arrematação final em audiência presidida pelo Juiz de Órfãos. De início, a criança foi anunciada publicamente nas ruas em praça pública para atrair lances, contudo, durante o período de pregão nas ruas, ninguém apresentou lances. Nesse sentido, o registro apresenta um alto potencial para pesquisas ou estudos, permitindo abordar variados temas.

Outro processo marcante encontrado no Memorial está ligado a um dos criminosos considerado de maior expressão e que aterrorizava a cidade de Natal no início da década de 1960, João Rodrigues Baracho. Com 297 páginas, o processo judicial criminal do ano de 1961 apura uma série de delitos praticados pelo denunciado. A denúncia aponta atuação criminosa continuada, envolvendo arrombamentos de escola pública, mercearias e estabelecimentos comerciais, além da manutenção de comércio para revenda de produtos furtados.




O processo registra ainda a integração de empregados para práticas delitivas e o uso de arma de fogo durante as ações criminosas. No ano de 1962, Baracho como era mais conhecido, foi morto durante um confronto com a polícia, e o seu túmulo está localizado no cemitério do Bom Pastor II, em Natal. Dessa forma, o documento constitui fonte primária para a memória do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, evidenciando práticas processuais, linguagem jurídica, estrutura das varas criminais e atuação integrada entre Judiciário, Ministério Público e polícia judiciária no século XX.

Além de histórias como essas, há também processos de cidadãos comuns. Uma delas é a ação judicial instaurada por uma moradora contra a perturbação do direito de posse de sua propriedade rural no Município de Patu, datada em 1898. O documento evidencia aspectos da transição jurídica e social do final do século XIX no Alto Oeste Potiguar, revelando a organização da propriedade rural e a autonomia feminina na defesa do patrimônio. Demonstra ainda a atuação do Poder Judiciário do Rio Grande do Norte na regulação dos conflitos possessórios e na preservação da paz social no interior potiguar.

O processo também carrega um vasto potencial, especialmente por retratar a autonomia feminina na defesa do patrimônio rural e a figura do advogado leigo (procurador licenciado) por falta de bachareis no interior à época do fato. Dessa forma, o registro permite abordar temas como a história da ocupação do solo potiguar e a resolução pacífica de conflitos por meio de acordos, possibilitando conexões com debates sobre a memória institucional do Judiciário e a história das propriedades rurais no interior do Estado, assim como o protagonismo histórico das mulheres na gestão de terras.



Outro documento que também merece destaque é a Coleção Documental do Desembargador Vicente de Lemos, composta por atos administrativos, ofícios, títulos honoríficos, correspondências manuscritas e datilografadas, fotografias, certidões, estudos históricos, documentos institucionais, recortes e documentos de caráter jurídico-administrativo e intelectual. O acervo permite abordar temas como bastidores políticos, disputas territoriais, redes de intelectuais e a trajetória de magistrados que influenciaram a história do Estado.

Além disso, o conjunto evidencia redes intelectuais entre magistrados, historiadores, políticos e acadêmicos do Nordeste e do Brasil durante a transição entre os séculos XIX e XX. O registro documental permaneceu sob custódia dos familiares do magistrado até sua doação, em 2013, ao Memorial da Justiça Desembargador Vicente de Lemos, passando a integrar o acervo permanente da instituição.

Divulgação dos processos históricos

Por se falar na divulgação dos processos históricos do Poder Judiciário estadual, a equipe técnica do Memorial da Justiça do RN tem trabalhado diariamente na digitalização desses documentos para que posteriormente, todos os registros estejam disponíveis à sociedade a partir do Acervo Digital do TJRN. Para isso, antes todos esses documentos passam pela etapa da higienização e em seguida, entram na fase da digitalização. Cada documento possui o seu ritmo de trabalho, visto que depende do volume do processo, e quanto mais frágil estiver esse registro, o cuidado e a atenção são redobrados.



A digitalização dos processos é realizada por meio de um scanner, equipamento este disponibilizado a partir de uma parceria estabelecida desde 2025 entre o TJRN e o Laboratório de Experimentação em História Social (LEHS) do Departamento de História da UFRN. Dessa forma, a digitalização ocorre por coleções e tipologia do documento, seguindo uma ordem cronológica. Atualmente estão sendo digitalizados os registros datados no século XIX, e logo depois serão iniciados os que compõem principalmente a primeira parte do século XX.

Além disso, o TJRN integra uma parceria com a UFRN e a Biblioteca Britânica, voltada para a preservação e digitalização de documentos históricos considerados em risco. Contemplado a partir de um edital da Biblioteca Britânica, o projeto permitiu ao Laboratório de Experimentação em História Social da Universidade adquirir equipamentos e financiar bolsistas para atuar na digitalização de acervos que abrangem do século XIX até a década de 1930. Com isso, as Comarcas de Assú e Santana dos Matos foram as primeiras contempladas, e a documentação foi trazida ao Memorial do Judiciário potiguar. A partir disso, o Tribunal tem contribuído para a preservação e a difusão da memória do Judiciário potiguar.

Para auxiliar com a divulgação dessa riqueza histórica, está sendo desenvolvida a plataforma Acervo Digital do TJRN, uma espécie de museu virtual onde serão disponibilizados futuramente todos esses processos históricos, que facilitará na busca e na identificação de todos os registros. Enquanto a plataforma não é aberta ao público em geral, alguns documentos digitalizados estão sendo inseridos no site: https://www.tjrn.jus.br/memoria/.

Funcionamento do Memorial da Justiça


Para quem tem interesse em conhecer melhor a trajetória da Justiça potiguar, as visitas ao Memorial da Justiça Des. Vicente de Lemos são realizadas exclusivamente a partir de agendamento prévio, tanto para visitantes individuais quanto para grupos, sejam eles escolares ou de outras instituições, dentro do horário de funcionamento que ocorre das segundas às sextas, das 8h às 14h. Para garantir uma melhor organização e qualidade no atendimento, todas as visitas devem ser solicitadas com antecedência pelo e-mail memorial@tjrn.jus.br.

Já para os interessados em realizar pedidos de pesquisa e acesso ao acervo histórico e documental do Memorial da Justiça do Rio Grande do Norte também é necessário o contato pelo e-mail memorial@tjrn.jus.br.

Reportagem: Ana Paula Nóbrega / Secoms TJRN

sábado, 18 de abril de 2026

UFERSA inaugura memorial para preservar história da instituição

Foto: Assecom-UFERSA. 

A Universidade Federal Rural do Semi-Árido inaugurou, neste sábado (18), um novo espaço dedicado à preservação de sua trajetória institucional. O Memorial ESAM–Ufersa foi aberto ao público no campus de Mossoró, integrando a estrutura da Pinacoteca, localizada no prédio central da universidade.

Criada em 1967 como Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), nasce com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento agrícola da região semiárida. Em 2005, a instituição foi transformada na atual universidade, passando a oferecer cursos em todas as áreas do conhecimento.

A expansão também se materializou com a criação de novos campi nas cidades de Angicos, Caraúbas e Pau dos Ferros, além de polos para Educação a Distância.

O novo memorial reúne documentos, objetos históricos e registros que ajudam a contar a evolução da universidade. Segundo o jornalista responsável pela pesquisa documental, Higo Lima, o espaço organiza um acervo que antes estava disperso.

Entre os destaques da exposição estão um documento datado de 1890, considerado o mais antigo do acervo, o registro original da posse do terreno do campus Mossoró, além do chamado Livro de Ouro, assinado por autoridades. O público também poderá conferir peças ligadas a pesquisas científicas, itens do antigo Museu de Paleontologia, do Herbário e do Hospital Veterinário.

Em setembro de 2025, por ocasião das comemorações dos 20 anos da Ufersa, a Prefeitura de Mossoró doou à universidade uma cópia do Decreto nº 003/1967, que cria a ESAM e cujo original fora redigido à mão em uma folha pautada.

Outro elemento que integra o percurso expositivo é uma linha do tempo ilustrada com momentos marcantes da instituição, iniciada com a criação da ESAM e finalizada com um holograma de Jerônimo Vingt Rosado Maia(1918-1985), fundador da escola.

De acordo com o diretor da Pinacoteca, o bibliotecário Sale Mário Gaudêncio, o espaço tem papel estratégico na valorização institucional. “É um equipamento de valorização da memória acadêmica e administrativa, além de fortalecer o vínculo da comunidade universitária com a sua história”.

Para o reitor da universidade, Rodrigo Codes, a criação do memorial representa um avanço no reconhecimento da identidade da instituição. “A Ufersa reafirma seu compromisso com a preservação da memória e da identidade universitária, celebrando sua história e projetando o futuro a partir de suas raízes. O Memorial é um marco para a comunidade acadêmica no fortalecimento da cultura”.

A instalação do espaço é resultado do trabalho de uma comissão formada por professores, técnicos e colaboradores de diferentes campi, além de profissionais das áreas de curadoria, design e pesquisa histórica.












Fotos: reprodução/UFERSA.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

UERN inaugura primeiro Centro de Pesquisa em Pré-História do Brasil com foco em arqueologia e paleontologia


A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) vivenciou na manhã de hoje, 27, mais um marco em sua história. Com a presença de autoridades e representantes da comunidade acadêmica, foi inaugurado o Centro de Pesquisa da Pré-História João de Araújo Pereira Neto (CPPH), o primeiro do Brasil a reunir pesquisas em arqueologia e paleontologia.

O CPPH tem como finalidade principal atuar como guarda de acervos científicos, sendo oficialmente autorizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Prof. Valdeci Santos comentou sobre a conquista do CPPH.

A luta pela implantação desse equipamento acontece há alguns anos, tendo a figura do professor Valdeci Santos como um dos responsáveis. Emocionado, ele relembrou sua trajetória ao deixar o emprego de bancário para seguir carreira acadêmica na Uern há 28 anos. Hoje ele vê o sonho desse Centro de Pesquisa ser realizado, e dedicou ao seu grande parceiro de jornada, o também professor da Uern, João de Araújo (in memoriam). “Gratidão imensa ao meu amigo João. Onde ele estiver, está aplaudindo essa conquista”, disse.

Familiares de João de Araújo também compareceram, e demonstraram muita alegria com a homenagem. “Hoje está sendo concretizada essa obra que será importante para todos os estudantes. É uma pena ele não estar aqui, mas seu nome será eternizado por todo trabalho que ele realizou. Ele acreditava no poder transformador da educação”, declarou D. Maria Neusa, viúva do prof. João.

Em sua fala, a reitora da Uern destacou o empenho do professor Valdeci Santos na implantação desse Centro de Pesquisa. “Precisamos aqui registrar o nome do professor Valdeci, coordenador geral desse equipamento, que tem um trabalho implicado nacionalmente e internacionalmente. Aqui com certeza será um espaço para a formação acadêmica dos nossos estudantes em nível de graduação e pós-graduação, e estamos muito felizes com essa parceria”.


O CPPH foi construído a partir de convênio formalizado em 18 de maio de 2022 entre o Iphan-RN, a Uern e a Companhia Paranaense de Energia (Copel), viabilizando a construção de sua sede própria. Com orçamento total estimado de R$ 1,2 milhão, o Centro conta com espaços de reserva técnica de arqueologia, laboratório arqueológico, laboratório de informática e pesquisa, sala de professores, sala de guarda de material paleontológico, sala de datações e outros ambientes de apoio às atividades.

Atualmente, o CPPH dispõe de 80 acervos científicos na Reserva Técnica, totalizando aproximadamente 50 mil artefatos culturais.

Autoridades destacam a importância do CPPH

Deyvesson Gusmão destacou o papel do Iphan no incentivo à cultura e à pesquisa.

Representando a presidência do Iphan, Deyvesson Gusmão destacou o papel do instituto no incentivo à cultura e à pesquisa em todo o Estado. “Temos o desafio de internalizar a pesquisa no Estado e a Uern faz muito bem isso. Então essa entrega tem uma importância muito grande para a Universidade e também para o Iphan”, afirmou.

O Superintendente do Iphan, João Gentil, disse que hoje é um dia histórico para o Rio Grande do Norte. “Isso é mais que a entrega de um equipamento, é o compromisso com a ciência e com a memória de um povo”.

Representando a Governadora do RN, o Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar, Alexandre Lima, destacou a importância desse Centro de Pesquisa para fazer um resgaste histórico daquilo que foi “esquecido” ao longo do tempo. “Para isso é preciso pesquisas, e essa iniciativa é fundamental para que essa história negada e esquecida possa ser recolocada no centro, para que assim o país possa ter um projeto de desenvolvimento pleno”.

Com uma infraestrutura moderna e equipamentos novos e modernos, o Centro de Pesquisa da Pré-História vai contribuir para o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão.


Solicitação de novo equipamento

Lúcia Paiacu em defesa dos povos originários.

Durante a solenidade, a reitora da Uern, Cicília Maia, entregou um ofício aos representantes do Iphan, onde solicita apoio institucional para a implantação do Centro de Preservação das Memórias dos Povos Originários e Afrodescendentes.

Esse Centro tem como perspectiva constituir-se como espaço permanente de referência para a preservação de acervos documentais, orais, imagéticos e audiovisuais, bem como para o desenvolvimento de ações em parceria com comunidades tradicionais, movimentos sociais, escolas e órgãos públicos.

A líder indígena, Lúcia Paiacu, presenciou a solenidade e discursou em defesa dos povos originários.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

EPITÁCIO FERNANDES JALES



Faleceu nesta segunda-feira(19/01), o ex-prefeito de Messias Targino, Epitácio Fernandes Jales, aos 92 anos, membro de uma das famílias mais antigas e tradicionais do município.

Epitácio Jales foi fazendeiro, produtor e empreendedor.

No ano de 1968 foi eleito vereador, pelo partido da Aliança Renovadora Nacional(Arena), sendo inclusive o mais votado, obtendo 108 votos. Assumiu a presidência da Câmara Municipal no biênio 1971-1973. 

Em 1992 foi eleito prefeito de Messias Targino, para o período de 1993 a 1996.

Era pai do ex-candidato a prefeito David Jales, que disputou a prefeitura de Messias Targino nos pleitos de 2020 e 2024.

domingo, 2 de novembro de 2025

Cemitério do Alecrim: a história viva de Natal


Quando pensamos em um cemitério, quase sempre nos vem à mente a tristeza, a saudade e a nostalgia. Não é para menos. Ali repousam aqueles que gostamos, pessoas que marcaram nossas vidas.

Mas os cemitérios, sobretudo os mais antigos, guardam muito mais do que memórias pessoais – eles contam a história de uma cidade, de um estado, de um povo.

Entre lápides e mausoléus, descobrimos personagens que, de alguma forma, contribuíram para o crescimento e a transformação da sociedade. Alguns foram grandes nomes; outros, simplesmente anônimos, mas todos deixaram sua marca na vida cotidiana.

Em Natal, o Cemitério do Alecrim é um exemplo vivo dessa memória coletiva.

O Cemitério do Alecrim foi o primeiro construído na capital potiguar, em 1856, pelo presidente da província, Bernardo da Câmara Passos. Localizado no bairro que lhe dá nome, passou por ampla reforma e expansão em 1941, sob a gestão do prefeito Gentil Ferreira de Souza. Em 2011, foi tombado como patrimônio histórico de Natal.

Nesse modelo, o Cemitério do Alecrim rompeu paradigmas. Antes, os sepultamentos ocorriam dentro das igrejas ou em seus arredores. Hoje, ele preserva uma riqueza cultural inestimável, ainda que pouco reconhecida e valorizada.

A visitação é aberta ao público, porém raramente incentivada. Falta ao Poder Público promover seu potencial cultural, capaz de revelar a história do Rio Grande do Norte através de túmulos imponentes, verdadeiras obras de arte.

Ali repousam nomes que ajudaram a desenvolver o Estado, a exemplo de João Câmara, político, empresário visionário que impulsionou a economia potiguar com criação de gado, suas plantações de algodão, fábricas e relações comerciais com famílias influentes no Brasil, entre elas os Matarazzos.

E não é só ele.

Há Luís da Câmara Cascudo, historiador, sociólogo, musicólogo, antropólogo, etnógrafo, folclorista, poeta, cronista, professor, advogado, jornalista e escritor. Uma figura cuja dimensão ultrapassa as fronteiras do Rio Grande do Norte, autor de uma obra monumental e de inestimável relevância, especialmente nos campos da história, do folclore e da cultura popular. São mais de 150 livros que fazem dele um orgulho potiguar.

Há também a família Palatnik, judeus vindos da Ucrânia que chegaram a Natal nas primeiras décadas do século XX. Aqui fincaram raízes, construíram moradia e consolidaram-se comercialmente. Inicialmente, 4 irmãos: Tobias, Adolfo, Jacob e José, com o passar do tempo, uma família numerosa. Abriram comércios na Ulisses Caldas e na Dr. Barata (Casa Sion), além de fábricas de móveis e mosaicos. Investiram, ainda, em fazendas e na construção civil. Entre seus membros, destacou-se Abraham Palatnik, radicado no Rio de Janeiro, nome consagrado das artes plásticas no Brasil e no mundo.

Estão ali personalidades ilustres: Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, Januário Cicco, Juvino Barreto, Djalma Maranhão, isabel Gondim, Floriano Cavalcanti, Amélia Machado, Newton Navarro, Aristófanes Fernandes, Eloy de Souza, Berilo Wanderley, Luiz Gonzaga do Monte (Padre Monte), entre outros.

Com tamanha riqueza histórica e cultural, é lamentável que o Cemitério do Alecrim não receba a conservação e os investimentos necessários para se tornar um verdadeiro ponto de visitação para o povo potiguar e, por que não, para o turista.

Em outras partes do mundo, cemitérios históricos são tratados como museus a céu aberto. Basta lembrar Pére-Lachaise, em Paris, um dos mais famosos do mundo, que recebe visitantes de todos os cantos interessados em conhecer os túmulos de personalidades: Oscar Wilde, Honoré de Balzac, Marcel Proust. Ou ainda o Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, que atrai multidões para visitar o jazigo de Eva Perón (Evita) e outras figuras marcantes da Argentina.

Se visitamos esses museus e saímos encantados pela história, por que não fazer o mesmo com o nosso Cemitério do Alecrim, verdadeiro patrimônio cultural?

Precisamos mudar o olhar. Valorizar o que é nosso. Deixar de venerar apenas o que está fora e compreender que a prata da casa também tem brilho próprio.

Túmulos como os de Januário Cicco, João Câmara, Juvino Barreto e dos Maçons, por exemplo, onde quer que estivessem, impressionariam pela imponência e beleza. Já outros como os túmulos dos aviadores mortos em combate durante a Segunda Guerra Mundial, assim como os daqueles que participaram da Intentona Comunista de 1935, destacam-se pela relevância histórica que carregam.

Dali surgem também estórias inusitadas, de almas e de assombrações, que, ao longo do tempo, transformaram-se em verdadeiras lendas urbanas, alimentando o imaginário popular e enriquecendo o folclore local.

Os símbolos religiosos – cruzes, anjos, livros, carpideiras, devotos – carregam significados próprios, com detalhes que embelezam o local, convertendo-o em um conjunto de autênticas obras de arte.

Cenário esse impossível de encontrar nos cemitérios modernos, onde apenas o silêncio se destaca.

No centro de tudo, sob olhar atento e vigilante, eis a charmosa Capela Menino Jesus de Praga – com traços neogóticos, com cores vibrantes e contrastantes – entrelaçando-se ao cenário do estuário do Rio Potengi e, ao fundo, a ponte estaiada Newton Navarro, compondo uma paisagem que suaviza o peso da atmosfera fúnebre.

Ao contrário do que se imagina, no Cemitério do Alecrim a vida pulsa: nas memórias, na arte, na história.

Hoje, porém, o desleixo tomou conta do lugar: esculturas somem, túmulos se deterioram, lápides desaparecem.O poder público se mostra incapaz de conter a destruição e, ano após ano, quem perde é o povo.

O patrimônio cultural jaz em silêncio e a história local repousa esquecida. Salvar o Cemitério do Alecrim é impedir que a memória se torne pó.





Fotos: reprodução.

Fontes:

– História da Cidade do Natal – Luís da Câmara Cascudo

– Alecrim: o Cemitério – nataldasantigas.gov.br

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Jornalista potiguar anuncia estreia na literatura com obra que promete marcar a escrita nordestina


Inspirada em vivências entre o Canto do Junco, o Brejo, Felipe Guerra e a Chapada do Apodi, a primeira obra de Eryx Moraes celebra a força da memória, da fé e da palavra._

Neste domingo, 25 de outubro, o jornalista e escritor potiguar Eryx Moraes, que estreia na literatura com sua primeira obra, anunciou oficialmente o lançamento do livro que, segundo o autor, deve chegar ao público em março de 2026.

A publicação, cujo título ainda é mantido em sigilo, desperta grande expectativa no meio cultural potiguar e nordestino, tanto pelo peso humano quanto pela representatividade de seu autor — uma das vozes mais reconhecidas da comunicação regional.

Entre o Canto do Junco, o Brejo, Felipe Guerra e a Chapada do Apodi, Moraes transforma lembranças em literatura e reconcilia o sertão com sua própria história.

A travessia pessoal e espiritual que conduz o livro ultrapassa a fronteira da autobiografia e se torna reflexão sobre o tempo, a fé e a dignidade.

Entre a memória e o tempo

Segundo o autor, a escrita foi um gesto de reencontro:

“Escrever foi a forma que encontrei de entender o tempo, de agradecer às cicatrizes e de reencontrar o menino que ainda mora em mim”, afirma Moraes.

Em análise preliminar, o *pesquisador, historiador, escritor e poeta Geraldo Francisco das Chagas define a obra como “o espelho de um tempo, de uma geografia e de uma luta que transcende o indivíduo”.

Ele compara a densidade da narrativa à sobriedade de Graciliano Ramos, à ternura de José Lins do Rego e à força testemunhal de Carolina Maria de Jesus, destacando o equilíbrio entre dor e redenção.

O texto alterna a dureza da infância sertaneja com a maturidade de quem se fez pela fé e pela palavra. O rádio, a política, o exílio e a espiritualidade se entrelaçam em capítulos que revelam o sertão como território de resistência e transcendência.

Um marco para a literatura potiguar

Ao narrar suas vivências entre o Canto do Junco e o coração da Chapada do Apodi, Eryx Moraes reafirma o valor simbólico de Felipe Guerra e da região Oeste como fontes legítimas de arte, memória e identidade.

Sua escrita devolve ao sertão o que ele tem de mais universal: a humanidade.

A estreia literária de *Eryx Moraes* não apenas introduz uma nova voz à literatura potiguar — *revela uma consciência que escreve para lembrar, e não para ser lembrada.*

Em um tempo em que o sertão ainda pede voz, a palavra de Moraes chega como resposta.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

O Caminho da Emancipação de Felipe Guerra (1953–1963)

Por Geraldo Fernandes

A trajetória de emancipação de Felipe Guerra foi marcada por três momentos decisivos, cada um refletindo as complexidades políticas, econômicas e sociais do Médio Oeste potiguar. O primeiro ocorreu em 1953, quando a Lei Estadual nº 1.017 criou o município, desmembrando-o de Apodi. A criação de Felipe Guerra representava, na época, um passo importante para a autonomia local, mas encontrou forte resistência. Grupos políticos e econômicos de Apodi, especialmente ligados à família Pinto, não concordaram com a forma como o projeto de criação foi conduzido, pois envolvia grande parte da Várzea e da Chapada, regiões de intensa produção agrícola, incluindo arroz, feijão e fruticultura, além de áreas de exploração de carnaúba, que eram de grande importância para a economia regional. Como resultado, a lei foi anulada meses depois, frustrando temporariamente a expectativa da população local que sonhava com maior autonomia administrativa e política.

Quase uma década mais tarde, em 1962, a bandeira da emancipação voltou a ganhar força. Liderada pelo deputado estadual Newton Pinto, a proposta surgiu em meio a um contexto de acirradas disputas políticas em Apodi, envolvendo o candidato Izauro Camilo de Oliveira, que utilizava a causa da emancipação como um dos principais pontos de sua campanha. Apesar de a Assembleia Legislativa aprovar o projeto e de a lei ser publicada, novamente a efetivação do município não se concretizou. O episódio demonstrou que, além do apoio popular, eram necessárias articulações políticas estratégicas e consenso entre as lideranças locais para superar as barreiras que impediam a concretização do projeto.

Finalmente, em 1963, a emancipação de Felipe Guerra se tornou realidade. O processo contou com articulação política mais ampla, envolvendo lideranças regionais e o apoio do então governador Aluízio Alves, que sancionou a Lei Estadual nº 2.926 em 18 de setembro, criando oficialmente o município. Diferentemente da primeira tentativa, o território desmembrado foi reduzido, evitando maiores resistências políticas e econômicas de Apodi. Além disso, a mobilização da população local, aliada à atuação de figuras como Izauro Camilo, que se tornou prefeito de Apodi em 1962, e outros líderes regionais, consolidou a legitimidade do novo município.

A história da emancipação de Felipe Guerra evidencia que a criação de um município vai muito além de um ato legal. Trata-se de um processo complexo, no qual convergem rivalidades políticas, interesses econômicos, negociações entre famílias tradicionais e a mobilização da população. Entre 1953 e 1963, essas forças se articularam de maneiras distintas, ora bloqueando o projeto, ora impulsionando-o, até que a autonomia administrativa se tornasse uma realidade concreta. Felipe Guerra, portanto, nasceu não apenas do desejo de seus habitantes, mas do delicado equilíbrio entre poder, economia e identidade regional, configurando-se como um marco importante na história do Médio Oeste potiguar.

Geraldo Fernandes é historiador, escritor e poeta felipense.

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Livro apresenta perfis de historiadores potiguares


A editora "Biblioteca Ocidente" acaba de publicar o livro Historiadores do Rio Grande do Norte, organizado por Gustavo Sobral, Honório de Medeiros e André Felipe Pignataro.

O livro reúne perfis biográficos de historiadores potiguares dos séculos XIX e XX. A obra é a primeira do gênero publicada no Rio Grande do Norte, um marco para a preservação e valorização da memória histórica e intelectual do estado.

Cada capítulo foi escrito por convidados, entre pesquisadores, professores, escritores, estudantes e historiadores, que adotaram diferentes estilos, do acadêmico ao literário, do ensaístico ao tom de homenagem.

O resultado é um mosaico de abordagens que reflete também a diversidade dos próprios historiadores retratados.

O livro está disponível para download gratuito no site da Editora Biblioteca Ocidente; https://revistagalo.com.br/selo-bo/; e também em gustavosobral.com.br.

Para quem deseja adquirir a versão impressa, o título pode ser encontrado na loja. uiclap.com

Outras publicações dos organizadores:

Governo do Rio Grande do Norte, organizado por Gustavo Sobral, Honório de Medeiros e André Felipe Pignataro e Potiguariana IHGRN de Gustavo Sobral e André Felipe Pignataro.

Mais informações e acesso gratuito às obras no site gustavosobral.com.br.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

TJRN cria selo “Acervo Histórico” para preservar documentos e valorizar a memória do Judiciário potiguar

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte instituiu o selo “Acervo Histórico”, por meio da Resolução nº 33/2025. A iniciativa visa reconhecer e preservar processos e documentos judiciais ou administrativos com valor histórico, informativo ou probatório, contribuindo para a valorização e a preservação da memória institucional do Judiciário potiguar, além de reafirmar o papel da instituição como guardiã da história da sociedade.

A marca será utilizada para identificar, de forma física ou digital, documentos que devem ser preservados de forma permanente.

A decisão de atribuir o selo poderá ser tomada pelo presidente do TJRN, desembargadores ou através do Comitê Permanente de Avaliação Documental e Gestão Documental (CPAGED).

Já a indicação pode ser feita por magistrados, servidores, advogados, membros do Ministério Público, pesquisadores, jornalistas, instituições de ensino e cidadãos interessados. Todo o material contemplado será recolhido ao Arquivo Judicial da Comarca de Natal, unidade responsável pela sua guarda e conservação.

Critérios

Entre os critérios para receber o selo estão: processos antigos com formatos de época, causas de grande impacto social ou midiático, decisões que envolvam personalidades públicas, documentos que evidenciem a evolução da tecnologia no Judiciário e casos que geraram mudanças legislativas ou jurisprudenciais.

A resolução já está em vigor e permite, inclusive, a reavaliação de processos já arquivados, desde que haja justificativa encaminhada ao CPAGED.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

ALRN recupera prédio do século XIX e inaugura Memorial do Legislativo Potiguar


Na tarde desta terça-feira (10), a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte inaugurou oficialmente o Memorial do Legislativo Potiguar. Mais do que a recuperação de um dos prédios tradicionais da avenida Câmara Cascudo, a nova sede compilou grande parte do acervo que retrata a história do estado e será um atrativo turístico e educacional para a cidade.

"Este memorial e um portal para o conhecimento e formação cidadã no Rio Grande do Norte", resumiu o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB).


O novo Memorial do Legislativo Potiguar ocupa o casarão que foi utilizado pelo ex-governador Augusto Tavares de Lyra, em 1904, como residência oficial. Lá, também funcionou, anteriormente, a Fábrica de Fiação e Tecidos Natal, que foi a primeira indústria do Rio Grande do Norte, e o jornal A República. Agora, a reforma viabilizou um espaço adequado para a interatividade e exposição do acervo coletado desde 1835.

Para o deputado Ezequiel Ferreira, quem trafega pela avenida Câmara Cascudo já percebe a mudança que o equipamento trouxe à cidade, revitalizado como guardião da memória e história do Legislativo. O deputado vê o local como um símbolo do compromisso do Parlamento com a preservação da cultura, identidade e democracia potiguar, assim como um a recuperação da participação feminina na política do Estado.

"Aqui vamos enaltecer a memória de Maria do Céu Fernandes, primeira deputada estadual do Brasil, que promoveu a participação ativa das mulheres na Política potiguar. Estudantes e pesquisadores encontrarão um acervo rico e diversificado, apresentado de maneira dinâmica, nesse Memorial que nasce para ser o rio de memória e conhecimento, passando por gerações e conectando o passado ao futuro. Este espaço é testemunha viva de nossa identidade e cultura, e convida a todos a navegarem por esse legado", disse Ezequiel Ferreira.

Na concepção do espaço, a equipe da Divisão do Memorial buscou organizar o espaço de maneira moderna, condizendo com as mais recentes práticas de museus pelo mundo, fazendo a experiência dos visitantes mais dinâmica e enriquecedora.

"Trouxemos o acervo que estava na antiga sede e outros itens que contam a história do Rio Grande do Norte sob a ótica do Legislativo. A inauguração é a devolução de um espaço para a utilização cultural e educativa aqui no Centro Histórico. Tivemos que adaptar para se adequar à nova geografia do prédio, acompanhando também as tendências mais modernas da museologia, buscando interatividade e respeitando a dinâmica do próprio prédio", explicou o responsável pela Expografia do espaço, Octávio Santiago.

O diretor-geral da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Augusto Carlos Viveiros, acredita que a viabilização do Memorial é uma homenagem e lembrança àqueles que lutaram pelo Estado. Viveiros relembrou a figura de Augusto Severo, ex-deputado que fez o voo no dirigível Pax, na França, e é considerado um dos grandes nomes da aviação, e Nísia Floresta, escritora potiguar que fez história na luta pelos direitos das mulheres.

"É a casa da memória daqueles que lutaram no Estado. A memória daqueles que participaram de toda a vida. E é isso que a Assembleia está fazendo hoje. Esse memorial, que a gente abre as portas da sociedade natalense, é a amostra, é o carimbo, é a fotografia daqueles que deram a sua vida para o Estado", disse Viveiros.

Durante a cerimônia de inauguração, o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira fez questão de enaltecer o papel dos deputados estaduais na defesa pela criação do espaço e do resgate do Centro Histórico de Natal.

"Inauguramos o memorial, espaço dedicado à preservação da nossa história e a valorização da memória do povo potiguar, e é com imensa gratidão que dirigimos nossas palavras aos nobres deputados desta Legislatura. Este equipamento não seria possível sem a dedicação, o compromisso e o trabalho incansável de cada um de vocês, que têm, dia após dia, contribuído para o fortalecimento das nossas instituições e para o desenvolvimento do nosso Estado. O memorial que hoje entregamos é reflexo não apenas da nossa história passada, mas também do esforço presente que constrói um futuro digno para gerações", disse o presidente. "Que cada visitante sinta a presença dos valores que guiam o trabalho do Legislativo: respeito, história e compromisso com o nosso Rio Grande do Norte. Que seja inspiração para que continuem exercendo com honra e dedicação o seus mandatos", finalizou o presidente.

O Memorial


Com a missão de conservar, preservar e promover a história do Legislativo do Rio Grande do Norte, o Memorial conta, já em sua entrada, a história de Tavares de Lyra e do Solar que abriga o acervo. Em seguida, os visitantes têm à disposição um espaço multifuncional, que é dedicado a narrar a história da democracia e divisão dos poderes, além de servir como um auditório para palestras e debates. Mais à frente, as pessoas que visitarem o ambiente terão um corredor que servirá para exposições temporárias e, ao lado, estará a Sala do Clero, onde está retratada a relação entre a política potiguar e a religião católica, incluindo a história de padres que foram parlamentares.

No Memorial há também, no trajeto dos visitantes, a Sala das Personalidades, onde informações e imagens de ex-presidentes e antigas sedes do Legislativo estarão expostas, onde as janelas terão imagens dos protagonistas da história política do Rio Grande do Norte, como Maria do Céu Fernandes e Café Filho. Ao fim da visita, a população terá um amplo ambiente onde é retratado o protagonismo feminino na política potiguar, que é referência pelo pioneirismo em todo o país.

"É um espaço de uma importância extraordinária. Na Assembleia recebíamos escolas e, agora, nossa expectativa é que essa gente nova venha e veja o que temos, desde 1835, fazendo a história do Legislativo", analisou o chefe da Divisão do Memorial, Aluísio Lacerda.

O Memorial do Legislativo Potiguar estará aberto para a visitação da população das 8h30 às 16h30, com a última admissão para visitantes às 16h. A entrada é gratuita e as visitas em grupos devem ser agendadas através do 84 3132-0346.


























Fotos: ALRN