segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Em 21 de setembro de 1973 falecia o senador Duarte Filho

Duarte Filho faleceu em Brasília, em pleno desempenho do mandato de Senador. Foto: reprodução.

Nascido em 25 de dezembro de 1905, na cidade de Mossoró/RN, Francisco Duarte Filho, era filho de Francisco Duarte Ferreira e Maria Vicência Duarte. Formou-se em Medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro, especializando-se em urologia e cirurgia geral.

Duarte Filho exerceu o cargo de prefeito nomeado de  Mossoró no período de novembro de 1935 a janeiro de 1936. Foi o fundador e diretor do antigo Hospital da Caridade de Mossoró. Assumiu a Secretária Estadual de Saúde durante parte da administração do governador Aluízio Alves(1961-1966); 

Disputou um mandato eletivo pela primeira vez no ano de 1945, quando saiu candidato a deputado federal pela União Democrática Nacional (UDN), entretanto obteve apenas uma suplência, com 5.487 votos. 

No pleito estadual de 1950 foi candidato a vice-governador do Rio Grande do Norte na chapa encabeçada por Manoel Varela Albuquerque, porém foram derrotados por  Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia e Silvio Piza Pedroza, respectivamente candidatos a governador e vice. Concorreu à Prefeitura de Mossoró nas eleições municipais de 1958 e 1962, mas também não galgou êxito. 

Porém, no ano de 1966 disputou uma vaga no Senado Federal pela ARENA(Aliança Renovadora Nacional), conseguindo se eleger com 143.315 votos, derrotando o candidato do MDB, o sr. Odilon Ribeiro Coutinho. 

Empossado em fevereiro do ano seguinte, cujo cargo exerceu até o dia de seu falecimento, ocorrido em 21 de setembro de 1973, em Brasília, vítima de infarto no miocárdio. Ainda em seu mandato, assumiu a Quarta-Secretária da Mesa-Diretora do Senado durante o biênio 1971-1972. O restante de seu mandato foi concluído pelo suplente Luiz de Barros. 

"Santinho" de uma de suas campanhas para prefeito de Mossoró. Foto: reprodução. 

Trecho do Jornal "Diário de Natal", sobre o falecimento do senador Duarte Filho, em setembro de 1973. 

Fontes de pesquisa: 
Repositório de Dados Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral - TSE: http://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/repositorio-de-dados-eleitorais-1/repositorio-de-dados-eleitorais
Site do Senado Federal;

sábado, 5 de setembro de 2020

Em 05 de setembro de 1994, falecia o "Majó" Theodorico Bezerra

Theodorico Bezerra, ex-deputado do RN. Foto: Memorial do Legislativo Potiguar. 

THEODORICO BEZERRA era natural de Santa Cruz/RN, nascido em 23 de julho de 1903, era filho de José Pedro Bezerra e de Ana Bezerra de Sousa. Durante sua trajetória de vida exerceu as funções de agricultor, industrial, criador, empresário, hoteleiro, e destacou-se como político. Foi Presidente do PSD no RN por vários anos. 

Entrou oficialmente para a vida pública nas eleições de 1947, quando se elegeu deputado estadual do Rio Grande do Norte, pela legenda do antigo PSD - Partido Social Democrático, com 1.958 votos. 

Já no ano de 1950 foi eleito deputado federal, pelo mesmo partido, sendo o terceiro mais bem votado, com 12.812 votos. Reelegeu-se nos pleitos de 1954(com 15.236 votos) e 1958(com 19.615 votos). Nas eleições municipais de 1952 disputou a Prefeitura de São Tomé, pelo PSD, entretanto não logrou êxito, perdendo para Rainel Pereira de Araújo, da UDN.

Campanha para o Senado em 1962. Foto: reprodução. 

Em 1962 candidatou-se ao Senado da República, sendo companheiro da chapa de Monsenhor Walfredo Gurgel, que disputava o mesmo cargo. Porém, sofreu a primeira derrota de sua carreira política, não conseguindo se eleger, obtendo 98.283 votos, ocupando o terceiro lugar na disputa. Na época, os eleitos foram Dinarte Mariz(UDN) e Walfredo Gurgel(PSD). 

Em 1963 foi eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa do RN para ocupar o cargo de vice-governador do Estado, função que até então era ocupada por Monsenhor Walfredo, que no ano anterior foi eleito senador da República. Ao ser empossado na vice-governadoria, Theodorico Bezerra acumulou o cargo de Presidente do Poder Legislativo Potiguar, conforme determinava a legislação da época. Atuou durante todo o restante do mandato do governador Aluizio Alves, de 1963 a 1966. 

Ao ser instaurado o bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar. E em 1966 voltou a se eleger deputado federal, com 21.826 votos, fazendo parte dos trabalhos da legislatura 1967-1971. Tentou a reeleição no pleito seguinte, porém não galgou êxito, ficando com a suplência, com 18.722 votos. 

Já no ano de 1974 voltou a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado, elegendo-se pela ARENA, com 9.111 votos. Reeleito em 1978, com 11.470 votos, atuando na legislatura 1979-1983, encerrando-se assim a sua passagem na vida pública. Faleceu em 05 de setembro de 1994, em Natal/RN, aos 91 anos de idade. 

Seus passos na política foram seguidos por seu filho Kleber Bezerra, que se elegeu deputado estadual, em 1982, pelo PDS, com 15.793 votos, fazendo parte da legislatura 1983-1987. Era avô de Jorginho Bezerra(prefeito de Tangará) e de Theodorico Bezerra Netto(ex-prefeito de Tangará, empresário e suplente de senador). 

FONTES DE PESQUISA: 
Portal da Câmara dos Deputados - https://www.camara.leg.br/deputados/131371/biografia;


No ano de 1978, foi tema do documentário “Theodorico, o Imperador do Sertão”, dirigido pelo cineasta Eduardo Coutinho, e que foi exibido pelo "Globo Repórter", da Rede Globo de Televisão.
Em 1980 concedeu entrevista ao Programa "Memória Viva", da TVU(TV Universitária) - UFRN, e contou um pouco sobre sua história de vida. 


*Postado por Francisco Veríssimo - Fatos do RN.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Conheçam a belíssima História de Barra do Cunhaú/RN


*Por Erivan Ferreira -
 Livro "Memórias de Canguaretama Vol. I".

Créditos da Foto: Iraktan Ramos

Localizada no município de Canguaretama, agraciada por lindas paisagens; manguezais; piscinas naturais e rios de águas verdes e límpidas, Barra do Cunhaú tem em seu nascedouro, uma grande relevância histórica. O lugar foi palco de disputas e muita cobiça, aparecendo em mapas da época com a denominação de “Corimataí”.

Por volta de meados do século XVI, após terem sua embarcação encalhada na costa da praia, marinheiros oriundos de Dunquerque (cidade portuária localizada no norte da França), edificaram uma fortificação no local para que fosse utilizada como abrigo até a chegada do resgate. Edificado com pedras encontradas no litoral, anos mais tarde, na mesma encosta, surgiria um Fortim que seria palco de duas importantes batalhas e que marcaria a história de Barra do Cunhaú.

Passados 84 anos, estando sob o comando de tropas portuguesas instaladas na fortaleza, o local foi utilizado para combater as sucessivas tentativas dos holandeses de estabelecer seu domínio na região. Desta forma, estava assegurado o apoio militar aos moradores do Engenho Cunhaú, que distanciava apenas 18 km da guarnição e que era o principal fornecedor açúcar e alimentos, sobretudo de carne bovina para a capitania do RN e a outras regiões.

O Fortim da Barra possuía formato quadrangular duplo e estava resguardado por rígidas muralhas com aproximadamente 3,5 metros de altura, nas quais haviam distribuídas estrategicamente dez canhões que disparavam balas de 05 libras e dois arcabuzes de forquilha. Sua guarnição era realizada por um destacamento composto por 27 homens comandados pelo Capitão Álvaro Fragoso de Albuquerque.

Em abril de 1634, a fortaleza sofreu uma tentativa de assalto por tropas holandesas, resistindo com êxito. Durante o ataque, alguns moradores foram degolados pelos invasores.

Após seis meses, na noite de 21 para 22 de Outubro do mesmo ano, o Fortim da Barra seria atacado pela segunda vez. Em uma operação conjunta minuciosamente planejada, partiram do castelo Keulen (Fortaleza dos Reis Magos), 228 soldados por terra, além de 50 índios, liderados pelo experiente coronel polonês Cristóforos Arciszewski e por mar, outra frente de batalha, sob a direção do seu rico conselheiro, Stachouwer. Fazendo uso da escuridão, com grande rapidez e muita violência, o forte foi tomado pelos holandeses, sofrendo consideráveis danos e saques. Porém, os invasores não conseguiram se efetivar na localidade, e ao desatracarem da costa, sofreram um naufrágio, submergindo com toda a sua carga.

Sobre a fortaleza de Barra do Cunhaú, quase nada restou. Suas ruínas foram dizimadas pela ação do tempo e pelas águas do oceano atlântico. Na localidade, surgiu um povoado. Anos mais tarde, suas potencialidades turísticas ganharam projeção internacional.

Passados aproximadamente três séculos, no ano de 1920, a população de Barra do Cunhaú se resumia a 414 habitantes distribuídos por 101 casas.

Na década de 1950, o lugar continuava a ser um pequeno vilarejo formado por poucas casas distantes uma da outra, feitas em sua maioria, com palhas, ou algumas vezes, com taipa e cobertas por palhas. O mesmo acontecia aos banheiros, e que muitas vezes, eram construídos no quintal. O asfalto ainda não existia, tendo sua principal rodovia (Rua da Praia) formada por piçarro.

Boa parte dos nativos residia em sítios. Eram pedestres ou utilizavam cavalos como meio de transporte. O aprendizado ocorria em casa, e posteriormente, na Escola Única Matias Maciel, porém, só havia continuidade até a 4ª série primária. A partir daí, as poucas famílias com melhores condições financeiras, enviavam seus filhos para estudar na capital. Nesta época ainda não havia energia elétrica, as residências eram iluminadas por lamparinas. Os moradores usavam ferro aquecido com carvão em brasas para passar roupas. Também não existia água encanada. Os moradores se utilizavam de cacimbas para beber e cozinhar alimentos. Homes e mulheres transportavam água sob os ombros em grandes latões, pendurados por cordas nas duas extremidades de um pau de mangue. A lavagem de roupas era realizada através de um poço coletivo existente em uma área cercada por matagal e coqueirais próxima ao “pontal”.

A subsistência de grande parte da população se dava através da agricultura e da pesca. Além da captura de camarões e caranguejos. Outros habitantes trabalhavam em salinas. Havia alguns barqueiros que cobravam pela travessia dos “passantes”, dentre os quais, vendedores de grude, que caminhavam a pé da Pipa até a Barra por uma estrada de barro levando cestos repletos de seus produtos sobre a cabeça para serem vendidos em Baía Formosa. O trabalho nos estaleiros era outra opção. Para complementar a renda e o consumo familiar, diversos moradores coletavam mangabas nas proximidades do Juncal e Angelim. Outros recorriam à criação de cabras em seus quintais confinadas em pequenos cercados. Ao completar 18 anos, muitos jovens tentavam ingressar nas forças armadas.

Não havia qualquer assistência médica. Os nascimentos eram feitos com a ajuda de parteiras. As enfermidades eram tratadas com plantas nativas, sendo os casos mais graves resolvidos na Penha. A delegacia de polícia funcionava em um pequeno casebre chefiado por “Chico de Cocó’” e se acaso alguém fosse detido, seria transferido para a sede do município.

Era prática muito comum, a hospedagem de visitantes atraídos pelo veraneio em casas de parentes, uma vez em que ainda não existiam pousadas.

Com o desenvolvimento do distrito sede, muitos alunos se deslocavam em cima de duas caminhonetes pertencentes ao Sr. Fernando para estudar em Canguaretama. No dia da feira livre, diversos nativos percorriam 12 km a pé, ainda na madrugada, para comprar seus mantimentos. Outros vinham no caminhão do Sr. Abraão, veículo que tinha seu motor acionado a partir de um movimento manual por uma manivela. Na Barra de Cunhaú, dentre os poucos comerciantes, ressaltam-se Seu Jeremias, Manoel Canoa e Geraldo Soares.

Em períodos festivos, destacando-se as festas juninas, Natal e fim de ano, as pessoas saiam às ruas para apreciarem as apresentações da lapinha, do pastoril e do coco de roda praticadas por seus moradores, além do boi de reis, realizada por grupos de Tibau do Sul advindos dos distritos de Manibu e Cabeceiras. O carnaval de Barra de Cunhaú ocorria com a participação de alguns blocos conduzidos por sanfona e pandeiros. Muitos idosos costumavam participar. Algum tempo depois, surgiram as primeiras bandas, destacando-se, Sr. Paxicu, dentre outros músicos. A “Burrinha de Roldão” era uma atração muito apreciada, além do Bloco do Peixe.

No imaginário popular, possuíam destaques a lenda do “batatão” e os relatos de pescadores a respeito de supostas visões de almas pagãs pedindo ajuda para atravessar a praia durante a noite.

A padroeira de Barra o Cunhaú é Nossa Senhora dos Navegantes. A data é comemorada no dia 27 de janeiro e é encerrada com uma procissão marítima orquestrada por embarcações conduzindo a imagem da padroeira. Por terra, muitos fiéis seguem através de um cortejo.

A partir de 1977, diversos loteamentos foram surgindo em Barra do Cunhaú. Em sua maioria, empreendimentos imobiliários.

*Erivan Ferreira é professor e escritor em Canguaretama/RN.