terça-feira, 14 de julho de 2026

Morre Cláudio Galvão, pesquisador e referência da memória potiguar, aos 88 anos

Crédito da foto: reprodução.

O professor, historiador, pesquisador e escritor Cláudio Augusto Pinto Galvão morreu na manhã desta terça-feira (14), aos 88 anos. Professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ele deixa uma trajetória marcada pela preservação da memória histórica, artística e cultural do estado.

Foi casado com a escritora Mailde Pinto Galvão(falecida em 26 de abril de 2013). 

Ao longo da carreira, Cláudio Galvão teve atuação destacada na formação acadêmica, na pesquisa e na valorização das artes potiguares. Na UFRN, foi fundador e primeiro chefe do Departamento de Artes (Deart), função exercida entre 1974 e 1981, período em que participou da implantação de iniciativas pioneiras no ensino artístico da instituição.

Após deixar a chefia do departamento, Galvão elaborou o projeto que deu origem ao Laboratório de Restauração e Conservação de Livros e Documentos Históricos (Labre). A iniciativa teve papel na recuperação de acervos históricos do Rio Grande do Norte, incluindo coleções de jornais antigos do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN).

Autor de 19 livros, o pesquisador dedicou parte significativa da produção ao resgate de personagens, obras e manifestações artísticas do estado, com atenção especial à música potiguar. Entre os títulos publicados estão “Oswaldo de Souza: O Canto do Nordeste”, de 1988; “A Desfolhar Saudades: uma biografia de Tonheca Dantas”; “A Modinha Norte-rio-grandense”, de 2000; “Cancioneiro de Auta de Souza”, também de 2000; e “Príncipe Plebeu: uma biografia do poeta Othoniel Menezes”, lançado em 2010.

Era sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) desde 1982, e ocupava a cadeira 103 da instituição.

Do rádio à pesquisa

Músico e estudioso das artes, Cláudio Galvão iniciou a vida profissional em emissoras de rádio, onde trabalhou como controlador de som e apresentador de programas voltados à música erudita. Posteriormente, ingressou no magistério e tornou-se professor de História Medieval e História da Arte na antiga Faculdade de Filosofia do Rio Grande do Norte, que depois passou a integrar a UFRN.

Mesmo após a aposentadoria, em 1991, ele permaneceu em atividade como pesquisador e escritor. Seu último livro publicado foi “Helen Ingersoll: Poesia”, de 2021, dedicado ao resgate da produção poética da escritora mossoroense Helen Ingersoll.

Governo do RN manifesta pesar

Em nota de pesar, o Governo do Rio Grande do Norte classificou Cláudio Galvão como um dos mais importantes intelectuais da história potiguar e destacou a contribuição do pesquisador para a preservação da cultura e da identidade do estado.

O Executivo estadual também ressaltou a atuação dele como professor, gestor cultural e guardião de acervos documentais. Segundo a nota, a produção intelectual de Galvão tornou-se referência para pesquisadores e novas gerações ao recuperar a trajetória de compositores, escritores e artistas norte-rio-grandenses.

Confira a nota completa:

"NOTA DE PESAR

O Governo do Rio Grande do Norte manifesta profundo pesar pelo falecimento do professor, historiador, pesquisador e escritor Cláudio Galvão, um dos mais importantes intelectuais da história potiguar.

Ao longo de uma vida dedicada ao conhecimento e ao serviço público, Cláudio Galvão construiu um legado inestimável para a preservação da memória, da cultura e da identidade do Rio Grande do Norte. Sua produção intelectual resgatou e valorizou a trajetória de grandes nomes da música, da literatura e da história potiguar, tornando-se referência para pesquisadores e para as novas gerações.

Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, fundador do Departamento de Artes da instituição, gestor cultural e guardião do Arquivo Público do Estado, exerceu suas funções com reconhecido compromisso com o patrimônio histórico e documental do povo potiguar.

Autor de dezenas de livros e pesquisas, dedicou-se, com rigor e sensibilidade, ao resgate da música norte-rio-grandense, da história de compositores, escritores e artistas, deixando uma contribuição permanente para a cultura brasileira.

Neste momento de dor, o Governo do Estado solidariza-se com os familiares, amigos, colegas e admiradores de Cláudio Galvão, expressando sua gratidão pela vida e pela obra de um homem que fez da pesquisa, da educação e da cultura uma missão.

Seu legado permanecerá vivo na memória do Rio Grande do Norte.

Natal, 14 de Julho de 2026"

*Com informações da Tribuna do Norte

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