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terça-feira, 30 de novembro de 2021

João Câmara: 35 anos do maior terremoto do Rio Grande do Norte


Em 30 de novembro de 1986, na cidade de João Câmara (74 km da capital), era registrado o maior evento sismológico do Brasil. O maior tremor de terra já visto no país e com um número, sem precedentes, de destruição. O episódio teve ampla cobertura da imprensa nacional, foram mais de 3.000 casas destruídas e mais de 12.000 moradores que deixaram a cidade em busca de abrigo. 

*Capa da Monografia, Pedro Gabriel Phillips David, Departamento de Geografia UFRN, 2020.

Marcando 5.3 pontos na escala Richter (índice considerado muito alto), o episódio ainda marca a memória de muitos moradores da região. Recentemente o evento virou até livro, chamado “João Câmara, 1986: os abalos sísmicos e seus efeitos”, publicado pelo professor e pesquisador Mario Takeya que na época dos sismos integrava o Laboratório de Sismologia da UFRN. No livro, editado pelo Sebo Vermelho, o professor descreve a repercussão do terremoto e as consequências naquele 30 de novembro  de 1986.

Capa Livro: “João Câmara, 1986: os abalos sísmicos e seus efeitos”, Mario Takeya

Em pesquisa desenvolvida em sua monografia junto ao departamento de Geografia, Pedro Gabriel Phillips, explica que os fatores de risco existentes no município de João Câmara, estão atrelados a existência de uma falha geológica denominada de “Falha Sísmica de Samambaia”, esta que devido a sua dinâmica, constantemente provoca abalos sísmicos que remontam registros de séculos atrás. O pesquisador alerta, ainda, que mesmo passado mais de três décadas do desastre, não houve medidas de planejamento por parte da gestão pública com o intuito de melhorar a situação da cidade para lidar com um potencial novo sismo de alta magnitude semelhante ao de 1986.

A escala Richter foi criada em 1935 para quantificar a intensidade de energia liberada por um abalo sísmico. A escala varia de 0 a 10. O maior terremoto já registrado ocorreu em 1960 no Chile com uma surpreendente marca de 9.5 graus, gerando um maremoto com ondas de até 10 metros de altura, as ondas apagaram cidades inteiras do mapa, causando a morte de mais de 2.000 mil pessoas e deixando um rastro de destruição incalculável.

No Brasil, vários tremores já foram registrados com intensidades diferentes, mas, João Câmara é, sem dúvida, o que deixou o maior rastro de destruição e muitos traumas, gerando inúmeras reportagens e documentários sobre o acontecimento. 

Abaixo segue trecho da cobertura nacional da época:


Fonte: Por Leandro Soares - Portal Extremoz

OBS: Veja outros vídeos sobre o Terremoto de 1986 em João Câmara: 



quinta-feira, 18 de novembro de 2021

João Câmara vai ganhar título de “Capital Nacional dos Ventos”

Graças à produção de energia eólica, João Câmara (RN) pode tornar-se Capital Nacional dos Ventos. 

A Comissão de Educação do Senado aprovou nesta quarta-feira (18), o projeto do Senador Jean (PT-RN) que confere ao município de João Câmara o título de “Capital Nacional dos Ventos”. A proposta segue agora para exame pelo Plenário do Senado.

O Projeto de Lei n° 3682, de 2020, foi relatado pelo Senador Styvenson Valentim (PODEMOS-RN). Em seu relatório, Styvenson destaca que o Rio Grande do Norte “é o estado líder em geração de energia eólica no Brasil, com 177 usinas eólicas em funcionamento e potência instalada de mais de 6 gigawatts. Neste cenário, o município de João Câmara se destaca. Localizado na região do Mato Grande, João Câmara possui a maior quantidade de aerogeradores por metro quadrado do Brasil”.

A cidade de João Câmara possui um total de 29 parques eólicos, que abrigam 327 aerogeradores. A importância da atividade é tamanha na região que, segundo dados do IBGE, de 2008 a 2012, houve um aumento de 90% no PIB do município. No ranking do PIB per capita estadual, a cidade subiu 40 posições entre 2010 e 2018, saltando do 48º para o 7º lugar. A atividade gera emprego e renda para o município e ajuda no desenvolvimento não somente da região, mas de todo o estado do Rio Grande do Norte. João Câmara, atualmente, é a 10ª cidade que mais recolhe impostos no estado.

A Senadora Zenaide Maia (Pros-RN) uniu-se nos elogios à iniciativa e lembrou que o estado tem vocação para este tipo de atividade e que é necessário se rediscutir a sistemática de recolhimento de impostos de forma a que os municípios possam ter acesso a um pouco mais da riqueza gerada pela energia eólica.

Para o Senador Jean, autor do projeto, o reconhecimento à João Câmara pelo Congresso Nacional como “Capital Nacional dos Ventos” tem um sabor especial. Cerca de 20 anos atrás, ele foi responsável por estruturar o Plano Estadual de Energia na gestão da então governadora Wilma de Faria. Foi a partir desse trabalho que o estado começou a desenvolver seu potencial que o transformaria no campeão nacional em geração de energia eólica.

Segundo Jean, a região do Mato Grande é uma das mais promissoras do país na geração de energia eólica e já é uma das que mais concentra turbinas eólicas em todo o mundo. “Isso só foi possível porque a população, os seus gestores, os legisladores municipais aceitam e recepcionam essa indústria e esses investimentos de forma integrada. Isso gera emprego e investimentos na economia local já que ⅓ de tudo o que é investido em um parque eólico é gasto em compras locais”.

O Senador pelo Rio Grande do Norte fez questão de lembrar que João Câmara se transformou hoje num polo exportador de mão de obra para todo o mundo graças a essa indústria. Segundo ele, profissionais formados pelo IFRN ocupam hoje postos de destaque nas áreas tecnológica e de gestão em empresas de todo o mundo.

“Essa indústria ainda tem muito espaço para crescer em nosso estado e vai gerar reflexos para toda a sociedade potiguar. Em breve, nossa região deve se tornar uma potência também na geração de energia eólica offshore e vamos ter uma nova onda de desenvolvimento, oferta de empregos e crescimento do PIB estadual com reflexos em setores como a educação, hotelaria e serviços locais”, defendeu Jean.